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Mural do Tuba Educação

Tuba Educação traz notícias selecionadas da área educacional e artigos do Professor Tuba sobre Ensino de Física, Informática na Educação e outros temas educacionais.

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A Educação dos Milionários

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Os grandes nomes de sucesso não quiseram perder tempo trancados numa sala de aula.

Por GILBERTO DIMENSTEIN

Quem quiser saber como se vão produzir o conhecimento e os melhores empregos no futuro terá de conhecer um japonês chamado Joi Ito, de 45 anos, que, segundo os padrões tradicionais, seria rotulado na faculdade de "vagal". Apesar de vir de uma família de acadêmicos (e acadêmicos japoneses, vale ressaltar), não conseguiu o diploma de ensino superior. Até tentou, mas abandonou, com certo orgulho, os cursos de ciência da computação e de física. Você imaginaria um brilhante futuro acadêmico para esse rapaz?

Desde o início de setembro, Joi Ito dirige uma das principais referências planetárias em pesquisa acadêmica, especialmente em tecnologia da informação, onde se moldou o mundo digital: o MediaLab, do MIT. Foi escolhido por ser um reconhecido empreendedor, que está sempre investindo em empresas ou projetos inovadores. É um dos criadores, por exemplo, do Creative Commons, um marco no debate de direitos autorais na internet. Foi também um dos primeiros a ajudar a tirar do papel o Twitter e o Ficar. Milionário, ele tem casas em vários países e passa a maior parte do ano viajando para se sentir o que ele chama de "cidadão do mundo".

Diante da pergunta sobre como convenceria estudantes a ficar na escola se ele próprio não ficara, Ito deu a seguinte resposta: "Se eu estudasse num ambiente tão criativo e profundo como o MediaLab, nunca teria ido embora".
Joi Ito simboliza o incrível poder dos "vagais", agora ganhando status acadêmico, e sinaliza o perfil de gente que inventa empregos.

Foram jovens que abandonaram a escola que criaram a Microsoft, o Twitter, o Facebook e a Apple. Pense quantas vezes por dia você usa alguma de suas criações. O fato é que os grandes nomes de sucesso de hoje, em vez de perder tempo trancados numa sala de aula, preferiram ficar metidos em alguma garagem reinventando o futuro e, assim, gerando empregos.

O debate é especialmente intenso agora, com os sinais de revolta no mundo -e o Ocupe Wall Street é o símbolo - diante da dificuldade de criar empregos nas nações ricas. Nada disso significa que a universidade seja uma instituição falida. Imagine ir a um médico sem diploma ou mesmo entregar a construção de um prédio a um engenheiro que não conhece resistência de materiais. Ninguém quer ter os dentes tratados por um barbeiro. A questão, portanto, é saber como nutrir empreendedores, envolvendo as universidades, onde, em tese, deve concentrar-se o conhecimento mais avançado.

Por isso, está fazendo sucesso um livro recém-lançado, intitulado "A Educação dos Milionários", escrito por Michael Ellsberg, que entrevistou durante dois anos empreendedores de sucesso que não pisaram na faculdade ou a abandonaram. Pergunto qual era o traço comum deles. "Uma tremenda habilidade para lidar com o fracasso, transformando-o em aprendizagem", respondeu. Nesse ponto, estaria, segundo ele, o grande problema que a escola tem em formar empreendedores: "Na escola, somos treinados para dar a resposta correta, mas a criatividade depende do estimulo à experiência, que, em essência, vem de lidar todo o tempo com o fracasso". Pode parecer provocação, mas o argumento tem sido aceito e absorvido pelas melhores universidades.

No próximo mês, Harvard quer transformar num evento mundial o lançamento de sua incubadora de start-ups, onde alunos, pesquisadores, professores e executivos renomados trabalham em conjunto. A ideia é que aquele tipo de gente que criou empresas como o Facebook fique lá dentro por alguns meses, numa espécie de residência, para orientar os mais novos.
Gordon Jones, o responsável pelo projeto, batizado de HI (Harvard Innovation), é um misto de acadêmico de formações as mais variadas com empreendedor de sucesso. Quando pedi que me falasse de seus projetos como empreendedor, Gordon preferiu mostrar um jeito diferente de fazer um currículo. "Olhe aí", disse, apontando para a parede de seu escritório, em que estão pregados os produtos que ajudou a desenvolver ou vender.

É uma simples questão de sobrevivência. A mil metros da incubadora de Harvard, prospera o bairro com mais start-ups por metro quadrado (Kendall Square), vitaminado pela proximidade com o MIT, onde está Joi Ito. Vamos encontrar em várias partes do mundo (no Brasil, o melhor exemplo é o ITA) universidades que estipularam como meta servir de incubadoras, sendo uma ponte para a inovação. Disso depende a riqueza de uma nação - aliás, é o que move o governo Dilma a criar uma agência (Embrapii) para aproximar as universidades das empresas.

Ao assumir aquele cargo do MediaLab, Joi Ito apenas está sinalizando essa ponte entre o saber e o fazer.

PS- A incubadora de Harvard será comandada pela Escola de Negócios, obrigada a provar que forma empreendedores. No início do próximo ano, ela vai fazer uma experiência de proporções gigantescas. Todos os 900 alunos do primeiro ano terão de passar um mês desenvolvendo um projeto em algum país, inclusive o Brasil, dentro de um empresa.

Fonte: Folha de São Paulo

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Número de formandos nas licenciaturas diminui a cada ano

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Uma conta que parece não fechar. De um lado, um déficit nacional de cerca de 235 mil professores, segundo projeção do Conselho Nacional de Educação (CNE), para suprir as necessidades de contratação da área, especialmente para o ensino médio. Na outra ponta, salas de aulas com pouquíssimos alunos na graduação das licenciaturas, menos professores formados, menos mão-de-obra. Essa é uma realidade brasileira e, em Sorocaba, não é difícil encontrar o reflexo deste cenário nacional.

Na Universidade de Sorocaba (Uniso), uma das instituições de ensino da cidade com tradição na formação de professores, poucos são os alunos que ainda resistem e se formam nos cursos que têm como foco principal a preparação para a sala de aula: Pedagogia, Química, Física, Matemática, História e Filosofia. Entre eles, um dos com menor procura - e número de formados - é Física, criado pela instituição em 2005. E a necessidade do Brasil por estes profissionais não é pequena. Segundo o pró-reitor acadêmico da universidade, professor José Martins de Oliveira Junior, o déficit nesta área beirava os 50 mil profissionais há três anos.

"De lá para cá imagino que nada mudou. Acredito, inclusive, que a situação foi agravada. A procura nunca foi muito grande para esta área, mas de 20 anos para cá piorou muito." Na universidade sorocabana, o curso chegou a ter 45 inscritos em sua primeira turma. Mas no ano passado, apenas dez novos professores foram colocados no mercado de trabalho. Na opinião de Martins, é impossível virar esse jogo se as condições de carreira no Brasil - especialmente dos docentes de ensino médio, público - não melhorarem.
"Não aumentará a formação e nem o interesse por esta área se os salários não aumentarem. A defasagem é grande e, hoje em dia, se os salários triplicassem, ainda assim estariam baixos
. E, por causa disso, mesmo que o governo concedesse bolsas para todos que desejam frequentar as licenciaturas, creio que a procura seria baixa." O reflexo dessa realidade os docentes percebem no dia-a-dia da graduação. No caso da Física, os poucos que frequentam querem seguir a carreira acadêmica - porém, não no ensino público, como o Brasil precisa, mas nas áreas de pesquisa e até de docência no ensino superior. Para o pró-reitor, a questão da valorização profissional, entretanto, tem reflexos que vão além da satisfação pessoal. "Professores bem preparados e motivados também motivam os alunos a gostar da disciplina. E é isso que ajudará a fazer com que gostem e pensem em ser professor no futuro."

Enquanto a totalidade dos alunos de Física - apesar de poucos - tem como destino a sala de aula, a baixa procura pelas licenciaturas tem um impacto ainda forte no curso de Química. Isso porque, nesta área, os recém-formados são atraídos pelas vagas na indústria, que paga até o dobro do que é oferecido para estar à frente de uma classe. Em 2010, foram 27 os formados pela Uniso - apenas metade optou pelo magistério. "Isso de uma turma que começou com cerca de 50 matriculados", aponta o coordenador do curso, professor André Kimura Okamoto. O número de novos professores da disciplina lançados no mercado de trabalho, em Sorocaba, diminui ainda mais se considerado o fato de que parte deles mora em cidade da região. "E acabam ficando nestes municípios, porque é mais fácil conseguir as aulas." Para Okamoto, na falta de interesse pela graduação, o salário é só um detalhe. "Muita gente pensa que é fácil, mas são cursos pesados, que exigem um grau de raciocínio abstrato que nem sempre os alunos adquirem antes de chegar à faculdade. Por isso, as desistências são muitas."

Muito trabalho

Enquanto para alguns a carreira de professor de Química parece estar desaparecendo, para outros é o achado de uma oportunidade no mercado. Isso porque, segundo os professores da Uniso, se formar numa dessas licenciaturas, com pouca concorrência para ingresso na universidade, significa a certeza de ter um emprego - mesmo que a remuneração não seja tão boa assim.

Ariana Apolinário Okaeda, 25 anos, é um exemplo disso. Há três anos ela já deveria ter terminado a graduação, mas não consegue finalizar as disciplinas porque não tem tempo disponível, em razão da quantidade de aulas que já tem sob sua responsabilidade, na rede estadual. "No começo ia até para outras cidades, como Salto, Salto de Pirapora, Itu e Piedade. Como em alguns locais os cursos eram à tarde, chegava a trabalhar o dia todo." Hoje Ariana concentrou sua atuação só no período da manhã, mas não por falta de oportunidades. "Estou com uma filha pequena e não dá para trabalhar mais neste momento."

Ariana diz que dá para compensar os salários não tão altos quanto gostaria - "o problema é que eles não valem todo o estresse que se passa em sala de aula" - com a sensação de que, assim que ela quiser, poderá novamente aumentar o número de aulas. Isso porque grande parte das escolas, seja da rede particular ou pública, está em busca de um bom professor de Química. "Tenho a certeza de que terei trabalho. No começo a gente não sabe onde ir, com quem falar, onde procurar. E no início do ano é mais complicado. Mas os meses vão passando, os professores vão saindo, tirando licença, e as vagas começam a aparecer." Ela foi uma das estudantes que começaram a licenciatura em 2006 e que persistiu no objetivo de se tornar professora. "Começaram 70, mas se formaram só uns 30. Agora estou até fazendo Pedagogia para aumentar o leque de possibilidades no mercado. Está valendo a pena."

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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Mais aula não resolve

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Por Ricardo Semler (Folha de São Paulo)

Com a abolição gradual do sistema conteudista, pensar hoje em aumentar as horas de aula é quase criminoso.

Está todo o mundo tonto. Esse negócio de educação deficiente deu pano para todas as mangas. No redemoinho dos perdidos, o simplismo é "afundante".

O Pisa e testes que tais - que não parecem com o Enem, em vários sentidos, superior a eles - passaram a ser o padrão-ouro para se medir a escola. Aqui e mundo afora.

Falei por algum tempo com o ministro da Educação da Dinamarca, no ano passado, e fiquei perplexo ao descobrir que a sua meta era subir no ranking do Pisa. Não bastava ter obtido um dos melhores resultados do mundo - ele era cobrado pela sociedade dinamarquesa para melhorar a posição na listagem.

O Brasil, há poucos anos, passou a se medir assim também. Como consequência, todos perguntam como fazer para subir no ranking (estamos na 53ª posição). Ora, descobrindo o que fazem as melhores escolas do mundo serem um sucesso. Viramos súditos das respostas simplórias. Todos fazem estudos que demonstram que professores melhores e mais tempo em sala de aula dão resultado melhor. Como a questão de professores melhores é subjetiva, de uma "ululância" vexante, e que leva tempo (uma ou duas décadas) para se consertar, parte-se para o segundo item.

Assim, começa a grita pela escola integral e por mais tempo na sala de aula. Como se torturar a meninada com mais horas monótonas e mal pensadas fosse resultar em aprendizado duradouro. Que bobagem!

Isso não passa de um clichê, que serve para dar aos pais e aos políticos a sensação, idealizada, de que algo está sendo feito. O custo é altíssimo, e esse percentual a mais de PIB que iria custear um aumento de jornada deveria ser usado na reforma curricular.

Gilberto Dimenstein falou de uma escola na Califórnia, a Summit, que concede aos alunos dois meses, além das férias, para que escapem do tal do currículo. Com isso, essa escola pública é muito superior - em notas - às daquelas que aumentaram suas jornadas. Claro.

No mundo que está por vir, com currículos baseados na web e abolição gradual do sistema conteudista, acrescentar horas de aula é quase um ato criminoso. Essa dinheirama precisa ser redirecionada a fim de preparar as escolas para a revolução digital. Que, aliás, permitirá aos alunos surfarem questões em casa, em vez de acorrentá-los às carteiras.

Todo esforço tem de ser no sentido de alforriar a meninada, em lugar de achar maneiras de aumentar o "Febem-ismo". Com que mais tempo em sala, mais decoreba e mais tortura, nosso pequenos "guantanamistas" aparentarão melhorar.

Mas terão apenas se rendido, catatonicamente -como fazem os coreanos que se suicidam depois- à pobre conclusão dos que "pensam" o ramo: "se está ruim assim, vamos dobrar o mal e ver se melhora". Quanta preguiça macunaímica!

RICARDO SEMLER, 52, é empresário. Foi scholar da Harvard Law School e professor no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Escreveu dois livros ("Virando a Própria Mesa" e "Você Está Louco") que venderam juntos 2 milhões de cópias em 34 línguas.

Fonte: Folha de São Paulo

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Mais estúpidos ou inteligentes?

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Uma das principais questões de hoje é como as tecnologias alteram o funcionamento do cérebro.

Por GILBERTO DIMENSTEIN

O NÚMERO de amigos no Facebook não mede apenas popularidade. Mede também o tamanho de áreas do cérebro associadas a uma rede que compreende memória, emoções e interações sociais. Pessoas com essas áreas mais expandidas conseguem desenvolver mais relacionamentos? Ou mudaram seu cérebro porque usam mais o Facebook, estabelecendo mais relacionamentos? Os cientistas da University College de Londres, responsáveis pela pesquisa, divulgada na semana passada, não sabem.

O que imaginam saber, graças a uma série de testes de ressonância magnética, é que existe uma relação entre o tamanho de certas áreas do cérebro e o número de amigos. É óbvio que tal informação "viralizou" com velocidade gigantesca, afinal são mais de 800 milhões de usuários na internet. E, obviamente, isso suscitou um monumental besteirol científico, como se um grande númer o de amigos indicasse inteligência ou superioridade.

Está aí, porém, uma das mais efervescentes questões da atualidade, sem a qual não se entende pelo menos parte do comportamento dos seres humanos: como as tecnologias da informação alteram o funcionamento do cérebro e quais são suas consequências. Vamos encontrar argumentos (bons, diga-se) de todos os lados, mostrando que as tecnologias da informação nos fazem mais estúpidos ou mais espertos.

Na semana passada, o debate ganhou mais força com o comunicado da Associação de Pediatria dos Estados Unidos de que, se quiserem manter seus filhos mentalmente saudáveis, os pais deverão evitar o excesso de contato deles com as telas. Quaisquer telas: televisão, computador, tablets ou celulares.

A advertência é focada especialmente em quem tem menos de dois anos. O excesso de virtualidade daria menos tempo para a criança brincar e, assim, aprender os códigos essenciais dos relacionamentos sociais. Afetaria também a coordenação motora e a fala. No final, por não aprenderem a se concentrar, as crianças teriam dificuldades de ficar paradas em sala de aula ou lendo um livro.

É uma mensagem que vai contra a corrente. Pesquisas estão revelando que, aqui nos Estados Unidos, smartphone está virando uma espécie de chupeta. Os pais dão o aparelho para acalmar o filho, entretido com algum aplicativos. Cerca de 6% das crianças americanas de 2 a 5 anos já têm seu smartphone. Cerca de dois terços das que têm entre 4 e 7 anos de idade usam regularmente esse aparelho, abrindo um gigantesco mercado de aplicativos.

Se, por um lado, há dúvidas sobre como a tecnologia cria novos circuitos cerebrais, é sabido, por outro, que o cérebro é plástico, molda-se aos estímulos externos. Isso significa que a inteligência pode aumentar ou diminuir.

Cada vez aparecem mais estudos mostrando que parte da inteligência é fruto da genética, mas moldável a partir de estímulos externos. Está para ser publicado um estudo, que, parcialmente desenvolvido por pesquisadores de Harvard com centenas de gêmeos, reforça essa ideia.

Na semana passada, uma investigação da University College de Londres mostrou, mais uma vez usando testes de ressonância magnética, que, entre 2004 e 2008, o QI de adolescentes tinha variado para cima ou para baixo.

Talvez aqui esteja uma das respostas para uma série de experimentos realizados com crianças de até três anos. A criança que recebe mais estímulos e proteção nessa faixa etária tende a ir melhor na escola e, na vida adulta, ter melhor desempenho no trabalho, melhor saúde e se envolver menos em crimes. Nesse debate sobre o "Ocupe Wall Street" e a desigualdade de renda dos americanos (semelhante à do Brasil, aliás), uma ideia me atraiu.

Vários educadores sugeriram que o investimento na primeira infância seria um mecanismo sustentável para distribuir renda tão poderoso como a taxação aos mais ricos.

PS - A boa notícia é que a Faculdade de Medicina da USP abriu um canal de comunicação para pesquisas conjuntas com o centro que investiga a primeira infância em Harvard, um projeto de que participa o Instituto Gastão Vidigal.

Fonte: Folha de São Paulo

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Computador na Escola: Fora do Lugar


Por Tory Oliveira – Revista Carta na Escola

Todas as escolas públicas estaduais e municipais estão equipadas com ao menos um computador, 92% dos quais com acesso à internet. Mas, apesar de ter chegado às instituições de ensino, a tecnologia está longe da maioria das salas de aula e, pior, é vista como intimidadora por boa parte dos professores. A revelação é de uma pesquisa inédita conduzida pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), órgão do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que envolveu 1.541 professores, 4.987 alunos, 497 diretores e 428 coordenadores pedagógicos de 497 escolas de todas as regiões do País.

Entre os entraves para o uso e a apropriação das novas tecnologias, o estudo indica o número insuficiente de equipamentos por aluno, a baixa velocidade da conexão e o próprio contexto do professor (muitas vezes sobrecarregado e mal capacitado). “A infraestrutura chegou à escola, mas precisa avançar”, avalia Juliano Cappi-, coordenador- de pesquisas do Cetic.br.



Das instituições, 81% possuem laboratórios de informática e apenas 4% têm computadores instalados na sala de aula. Contudo, é nela que acontecem 18% dessas atividades. Ou seja, há, segundo o pesquisador, uma “demanda reprimida” dos docentes pela presença da tecnologia nas classes. Apesar de reconhecer a importância dos laboratórios, Cappi faz a ressalva de que talvez seja a hora de reavaliar tal política.

A insegurança ao lidar com a tecnologia foi um fator mencionado por grande parte dos professores de português e matemática (perfil escolhido para participar da pesquisa). Ainda que 90% deles possuam computador em casa e 41% levem o equipamento pessoal para a escola, mais da metade (64%) sente que os alunos dominam melhor as ferramentas. Outros 24% afirmam que não sabem o suficiente para usar a máquina na aula e 15% têm receio de utilizar a internet de modo geral.

A questão geracional ainda conta: 84% dos professores em atividade hoje na Educação Básica não são nativos digitais, apesar de 48% terem feito cursos específicos de informática. “O professor percebe que sua habilidade ainda pode melhorar”, explica Cappi. “O docente passou 30 anos trabalhando com lousa e giz, ele precisa ter tempo para pesquisar, discutir, preparar aulas e começar a incorporar novas iniciativas”, opina o pesquisador.

Apresentados à Secretaria de Educação Básica do MEC em agosto, os dados da pesquisa – que na próxima edição deverá incluir escolas particulares – devem servir de base para a construção de novas políticas públicas. Todos os dados estão em http://cetic.br/educacao/2010/.

Fonte: Carta na Escola
Em muitas escolas do Maranhão, os laboratórios de informática montados pelo MEC em “parceria” com o Estado estão abandonados: computadores velhos, obsoletos, monitores do tempo do CRT, outros eternamente pifados, internet que funciona dia sim, dia não, além de lenta e outros problemas. Manutenção praticamente não existe, principalmente, quanto à recuperação de peças das máquinas danificadas. Do governo Lula para o governo Dilma, houve uma retração no investimento em computadores para as escolas. Um retrocesso!
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Educação desafia consumismo infantil

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Por TONI SCIARRETTA da FOLHA DE SÃO PAULO. Link da notícia: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/988120-educacao-desafia-consumismo-infantil.shtml

Uma geração de novos consumidores, exigente com preço e qualidade e preocupada com efeitos ambientais --e no bolso-- do consumismo exagerado, promete mudar hábitos de consumo no país.

E isso pode acontecer bem antes de esses cidadãos --hoje em idades pré-escolar a até 17 anos-- chegarem ao mercado de trabalho.

Escolas paulistanas tradicionais, como Miguel de Cervantes e Arquidiocesano --e futuramente a rede pública, que terá educação financeira no ensino médio a partir de 2012-- desenvolvem em sala de aula noções de orçamento familiar, crédito, seguros e investimentos pessoais.

Para desagrado do comércio, a lição número um ensinada às crianças e adolescentes é diferenciar coisas que necessitam (remédios, material escolar) daquilo que desejam (videogames, roupas), mas que podem esperar.

Diferentemente dos pais, que atravessaram anos de consumo represado, os especialistas veem nessa geração um ímpeto menor de se lançar ao consumismo desenfreado, apesar da publicidade.

"Elas veem esse consumismo nas pessoas que conhecem e que enfrentam dificuldades", afirma José Alexandre Vasco, superintendente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que acompanha a implementação do conteúdo na rede pública.

"Procuramos desenvolver um raciocínio crítico na tomada de decisões, que se refletirá em valores, atitudes e comportamentos", diz Vasco.

Na escola estadual Dogival Barros Gomes, na Vila São Carlos (zona sul de SP), que participa do programa piloto de educação financeira, as aulas noturnas do professor Marcelo Alvares são disputadas pelos alunos do terceiro ano do ensino médio.

"A maioria trabalha e, pela primeira vez, tem o seu dinheiro. Eles têm maturidade para guardar e planejar como usá-lo", diz Alvares.

Como criar filhos financeiramente saudáveis

CLIQUE NA FIGURA ABAIXO PARA AMPLIAR

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A ideia não é bem haver uma disciplina separada de educação financeira, mas, sim, que a matéria seja abordada em outras disciplinas como Matemática, Sociologia, História e outras. No caso da Matemática, é uma ótima forma de contextualizá-la, apesar de que boa parte dos conteúdos tratados no Ensino Médio não seja diretamente compatíveis com a matemática das finanças.

Siga este outro link que mostra com está sendo o projeto piloto: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/780001-escola-publica-inicia-projeto-de-educacao-financeira.shtml

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Uma nova concepção para ensinar exatas

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Por PAULO BLIKSTEIN

O erro é acreditar que a ciência e a matemática são pré-requisitos para a invenção; na verdade, são simultâneas a ela.

Nos Estados Unidos, dos 3,7 milhões que entraram na primeira série em 1984, só 20% declararam interesse em carreiras em ciências exatas na sétima série, e 4,5% se formaram nessa área. Agora, o governo americano percebeu o óbvio e tenta remediá-lo: a escola afasta os jovens das carreiras científicas.

O ensino de ciências exatas nos EUA, como no Brasil, é uma longa preparação para a graduação nessas áreas, ignorando que só 5% vão cursá-las. Fazemos dele uma aborrecida sequência de tópicos sem utilidade ou função cognitiva.

Os alunos nunca fazem ciência ou engenharia de verdade, nunca se aventuram em descobrir algo novo ou resolver um problema real; aprendem só o "básico", que, em grande parte, ignora os avanços científicos dos últimos 50 anos. O resultado é que 80% não se identificam com as ciências exatas já na sétima série -época em que se forma a identidade intelectual da criança.

Um novo tipo de currículo ao mesmo tempo beneficiaria os que não serão engenheiros, já que terão uma experiência positiva com as exatas e não serão adultos com medo de matemática, e aumentaria o número de crianças interessadas em carreiras nos campos da ciência e da engenharia.

O erro é achar que a ciência e a matemática são pré-requisitos para a invenção; na verdade, histórica e cognitivamente, essas disciplinas são simultâneas à invenção. A história da ciência mostra que ela não avança no vácuo, mas sim para resolver problemas reais. É esse o motor cognitivo e motivacional que move o inventor, o cientista e, é claro, o aluno.

Além disso, mesmo um "mau" aluno em matemática pode ser um ótimo engenheiro. A engenharia está cada vez mais próxima do design e mais longe do modelo calculista. Os computadores fazem a "matemática" da engenharia, deixando para o profissional o trabalho criativo. Os currículos mais avançados do mundo estão substituindo habilidades aritméticas e memorização por modelagem matemática e resolução de problemas complexos.

Nossas escolas têm quadras para as aulas de educação física e bibliotecas para estimular a leitura, mas não instituímos um lugar para ensinar invenção, tecnologia e criatividade. É preciso um espaço apropriado para tanto.

Em Stanford, criei o projeto FabLab@School: são laboratórios de invenção nas escolas, espaços permanentes, com professores especialmente treinados e materiais didáticos especializados.

Esses laboratórios contam com equipamentos de última geração, com a ajuda dos quais alunos criam projetos de engenharia e teorias científicas, colaborando com colegas espalhados pelo planeta. São lugares projetados para atrair todos os alunos, não exclusivamente os que já nutrem um pendor pelas ciências exatas.

O que escolhemos ensinar nas escolas é só uma parte do conhecimento existente. Teoricamente, ensina-se o que a sociedade acha mais importante, mas o que de fato sobrevive no currículo é o que é fácil de ser medido com provas e o que funciona com aula expositiva.

As vítimas são a ciência e a tecnologia, que só são devidamente aprendidas quando os alunos trabalham em projetos, fora da aula tradicional. Se não percebermos que o que precisamos ensinar no século 21 não se encaixa nesse modelo, ficaremos prisioneiros dos conteúdos que são ensináveis dentro dos limites dele - como algoritmos de aritmética hoje tão úteis como saber ler um relógio de sol.

Sem um lugar e alguns cursos especiais para a invenção e a criatividade, não se desenvolve o entusiasmo pela engenharia. E sem ele, há pouca esperança de que tenhamos mais engenheiros no século 21.

PAULO BLIKSTEIN é professor na Universidade Stanford.

Fonte: Folha de São Paulo - 26/09/2011

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Mais tempo na escola

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O aumento dos dias de aula faz sentido, mas precisa ser acompanhado de ganho de eficiência, com menos faltas e professores mais capacitados.

Para um país que almeja igualar seus indicadores educacionais aos de nações desenvolvidas, é preciso gastar mais e gastar melhor. Apesar de avanços recentes, nosso investimento por aluno na educação básica representa apenas um quarto do valor médio da OCDE, entidade que reúne principalmente nações ricas.

É preciso aumentar o gasto por aluno -retirando os recursos não do contribuinte, pois em matéria de carga de impostos o Brasil não deve nada a nações ricas europeias, mas de áreas menos essenciais da administração. É necessário, ao mesmo tempo, cobrar mais eficiência de um sistema acostumado a usar mal seus recursos.

O raciocínio se aplica à proposta feita pelo ministro da Educação de aumentar o tempo que os alunos passam na escola. Fernando Haddad preconiza ampliar de 200 para 220 dias o calendário mínimo, aumentar o período médio diário de horas na escola, hoje em torno de quatro, ou combinar as duas iniciativas.

Vale notar que Haddad, há mais de seis anos no ministério, veiculou só agora a proposta -e mesmo assim de modo vago-, quando se avizinha sua provável candidatura à Prefeitura de São Paulo.

A ideia de aumentar a carga letiva, entretanto, encontra respaldo em diversas pesquisas. Trabalho do economista Naercio Menezes Filho concluiu que uma das variáveis que mais afetam o desempenho de um aluno é o seu tempo de permanência na escola.

Evidências vêm também de estudos internacionais, como o feito pelo sociólogo Karl Alexander nos EUA. Ao aplicar testes no fim do período letivo e no início do ano escolar subsequente, identificou que os alunos mais ricos melhoravam o desempenho, o que não acontecia entre os mais pobres. Nas férias, a desigualdade crescia.

Mais tempo em aula e menos de férias, portanto, tende a beneficiar principalmente aqueles que mais precisam da escola. No entanto, a medida será menos efetiva se não for acompanhada de mudança nas práticas pedagógicas.

Num trabalho em que comparou escolas de elite com as que atendiam as crianças mais pobres no Brasil, a educadora Paula Louzano mostrou que, entre as mais ricas, 75% declaravam ter conseguido cobrir praticamente todo o conteúdo do currículo esperado no ano. Nas mais pobres, a proporção não passava de 8%.

Não serão 20 dias a mais no ano ou algumas horas adicionais que farão as escolas que atendem alunos mais pobres se igualarem às melhores. É preciso diminuir o prejuízo causado por faltas e greves, além de preparar melhor o professor para otimizar o tempo de sala de aula.
Sem tocar nessas e em outras feridas educacionais, a injeção de mais tempo e recursos no sistema pode contribuir apenas para aumentar a coleção brasileira de boas ideias subaproveitadas.

Fonte: Folha de São Paulo

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Pesquisa aponta que Google deixa memória preguiçosa

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Antes do Google e de outros sites de pesquisa, nossa memória para números de telefone, datas importantes e até elencos de filmes era provavelmente bem maior.

Segundo cientistas americanos, o acesso permanente à internet modificou a maneira como as pessoas armazenam informações.

Em um trabalho publicado na versão on-line da revista "Science", o grupo diz: ao saber que terão acesso a uma determinada informação no futuro, as pessoas tendem a ser mais "preguiçosas" na hora de memorizá-las.
A conclusão veio após um grupo de testes que, no total, envolveram cerca de 200 participantes, em provas de perguntas e respostas e também de memorização.

Quando os voluntários acreditavam que não poderiam ter acesso aos dados posteriormente, acabavam memorizando bem mais informações do que aqueles que achavam que poderiam acessá-los em outra ocasião.

Para Martín Cammarota, neurocientista da PUC-RS, a pesquisa é válida, mas exagera ao dizer que o Google e outros sites foram os responsáveis pelas mudanças. "O trabalho mostra como as pessoas estão se portando diante das informações, mas não pode provar que o Google é o responsável por essas mudanças."

Fonte: Folha de São Paulo

Estamos caminhando para uma inteligência mais viva e menos cumulativa

Ouça o comentário de Cony, Xexéo e Viviane Mosé, Rádio CBN, sobre o assunto:

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Projeto do Senado libera contratação de professores universitários sem pós

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Ouça comentários de Cony, Xexéo e Viviane Mosé, na Rádio CBN, no final deste post (clique aqui).

Um projeto de lei em tramitação no Senado autoriza universidades e faculdades a contratarem professores sem curso de pós-graduação. Pela proposta, qualquer pessoa que tenha diploma de graduação e experiência relevante vai poder lecionar em cursos superiores de forma temporária. A medida agrada principalmente às instituições particulares. Caso seja aprovado, o projeto vai alterar a Lei de Diretrizes e Bases DA Educação (LDB). Hoje, a LDB diz que “a preparação para o exercício do magistério superior se faz em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado”. A proposta está agendada para entrar em votação no dia 12. “É preciso flexibilizar, porque faltam titulados”, diz o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), DA Comissão de Educação, Cultura e Esporte e relator do projeto. O contrato de professor temporário no Brasil não tem legislação específica. Universidades particulares têm autonomia para estabelecer suas regras. Nas instituições federais de ensino, segundo medida provisória que entrou em vigor no mês passado, até 20% dos professores podem ser temporários: eles têm um ano de contrato assinado, podendo ser prorrogado por mais um. Hoje, mesmo contrariando a LDB, há 28.085 professores sem pós-graduação em instituições de ensino superior do Brasil – 8% do total. Desses, 174 não têm sequer diploma de graduação.

O projeto agrada principalmente aos grandes grupos privados, que tiveram expansão nos últimos anos. Mas representantes de instituições tradicionais demonstram apreensão com a proposta. “Um profissional com experiência tem muito a ensinar, mesmo que não tenha pós-graduação”, diz Ana Maria Sousa, vice-presidente acadêmica da Anhanguera Educacional. “Por outro lado, há aqueles que Terminam a graduação e já emendam com o mestrado e com o doutorado. Que experiência eles têm para passar?” Ela critica o fato de o projeto não abranger OS efetivos. “Se esse profissional é um bom professor, por que o contrato é temporário?” Carência. O diretor jurídico do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), José Roberto Covac, também é favorável. Ele diz que a lei vai ajudar principalmente as regiões com carência de profissionais titulados. “Vários cursos, como Petróleo e Moda, quase não têm nem graduados formados. Nas áreas de Engenharia e Tecnologia, se precisar de professor titulado para autorizar o curso, não consegue achar.” Fábio do Prado, reitor do centro universitário DA FEI, discorda. “A pós- graduação dá ao professor um projeto pleno que favorece nosso alunado”, diz. Dos 300 professores da instituição privada, 85% são mestres e doutores. “Nunca tivemos dificuldade em encontrá-los.”

O vice-diretor DA Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), professor José Roberto Piqueira, endossa essa visão. Para ele, algumas universidades reclamam da escassez de titulados não porque haja falta deles no mercado, mesmo em regiões mais distantes do eixo Rio-São Paulo. O gargalo seriam as más condições de empregabilidade que as instituições oferecem. “Quando abro uma vaga, tenho dez engenheiros doutores interessados. Todos dispostos a lecionar. O problema é que muitas particulares querem pagar muito pouco pela hora-aula e ainda o colocam para dar 30 horas semanais. E else ficam sem tempo para se dedicar à pesquisa.” O valor da hora-aula de um professor é mais alto quanto maior é a sua titulação. Um docente que tenha somente a graduação custa bem menos que um doutor. Para Piqueira, se o projeto for aprovado, as universidades iriam em direção contrária às aspirações do mercado. “Embraer e Petrobrás têm seus próprios programas de mestrado. Se a indústria acha importante, a universidade não vai achar?” O Secretário da Educação Superior do Ministério DA Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, admite que a contratação de docentes sem pós-graduação é comum em instituições do País todo, mas afirma que professores com pós-graduação são fundamentais para a melhoraria da qualidade dos cursos. “Se permitirmos docentes sem titulação, vamos reduzir a qualidade.” Costa também afirmou que, caso o projeto seja aprovado, o MEC usará estratégias para desestimular a contratação dos temporários. “Não poderemos impedir quem não tem pós, mas posso valorizar os titulados.”

PARA ENTENDER: Títulos influem em avaliação – De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), as universidades e centros universitários devem ter um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. A titulação dos professores também é levada em conta na composição do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), que analisa as instituições, OS cursos e o desempenho dos estudantes. A nota do curso varia de um a cinco e é na composição dela que é considerado o perfil do corpo docente. Para conseguir a nota máxima, os bacharelados e licenciaturas precisam ter 80% dos docentes com titulação obtida em programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado). Nos cursos de graduação tecnológica (mais rápidos e com conteúdo voltado para o mercado), o índice mínimo de mestres e doutores para a obtenção da nota máxima (conceito 5) deve ser de 60%.

Fonte: http://www.omepsp.org/

SBPC é totalmente contra o projeto

A presidente da SBPC, Helena Nader, manifestou indignação contra outro projeto que tramita no Congresso: o que prevê o fim da exigência de pós-graduação para docentes do ensino superior. "A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências lutaram durante anos para aumentar o nível da educação. Seria um retrocesso."

O projeto, que foi antecipado pelo Estado, deverá ser votado em breve. "As universidades públicas não têm problemas para contratar profissionais com titulação", disse Helena, deixando claro que o problema está nas instituições privadas de ensino.

Outro tema que preocupa a SBPC é a revalidação de diplomas de pós-graduação. Estima-se que 2 mil estudantes aguardem a revalidação dos títulos. A SBPC é contrária a qualquer medida que tire das universidades a tarefa de revalidação.

Fonte: http://www.estadao.com.br/

Projeto no Senado vai na contramão do estímulo à ciência e tecnologia

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Ensino Médio mal feito; Faculdade ruim

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Abaixo, análise do texto de Gilberto Dimenstein, conselheiro do jornal Folha de São Paulo. As frases em citação são do Prof. Tuba.

A divulgação da lista das faculdades que não aprovaram nenhum aluno no exame da OAB é apenas o lado ainda mais escandaloso de um escândalo: jovens passam anos pagando mensalidades (em geral vindos de famílias mais pobres) e, no final, têm de jogar o diploma fora. Deveria ser um crime contra o direito do consumidor.

A maioria das faculdades particulares recebem as sobras de alunos que não passaram nas públicas e que fizeram um péssimo Ensino Médio. Alunos que, não raramente, têm dificuldades de interpretação de texto e que, em Matemática, não conseguem resolver nem uma regra de três simples. Só resta às faculdades, passarem os alunos adiante, para não sofrerem o risco de falirem.

O problema deve ser resolvido no Ensino Básico. O baixo nível do superior é um reflexo do básico.

O escândalo maior é que a maioria não passa, cerca de 90% dos candidatos. O que revela um drama educacional geral, desde o ensino básico, agravando-se na faculdade. É gente que sequer sabe ler um texto direito. Muitas faculdades são obrigadas a dar aulas de português.

O escândalo poderia ser ainda maior se todas as profissões exigissem semelhante exame ao do OAB. Os poucos que existem - medicina, por exemplo - já são uma tragédia.

Se houvesse um exame tipo da OAB aos formandos em Licenciatura… Bem! É bom nem pensar nisso!

Difícil ver maior crime educacional do que tirar durante anos dinheiro dos alunos das classes mais pobres e transformá-lo em lixo - exceto, claro, para os donos das faculdades.

Mesmo fazendo uma faculdade ruim, ainda assim é um estudo a mais que o indivíduo tem. Porém, seria melhor que ele gastasse esse dinheiro comprando livros e fazendo uma boa escola de Ensino Médio. Um bom Ensino Médio é, sem dúvida, melhor que uma péssima faculdade.

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Escolas brasileiras têm um computador para seis alunos, aponta pesquisa

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A inclusão digital nas escolas brasileiras ainda é um grande desafio. O Brasil é o último em uma lista de 38 países avaliados em relação ao número de computadores por alunos. É o que mostra os dados divulgados nesta terça-feira (28) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que chegou a esses números por meio do Programa Nacional de Avaliação de Alunos (Pisa) que analisa a relação entre os sistemas de ensino e a tecnologia. De acordo com o levantamento, as escolas brasileiras oferecem, em média, um computador para cada 6,25 estudantes - ou 0,16 computador por aluno. O número rende ao país o posto de terceira pior colocação no ranking da inclusão digital, à frente apenas de Tunísia e Indonésia.

INCLUSÃO DIGITAL: Sul-coreanos lideram leitura pela internet

A Austrália é o país mais bem colocado na lista, que inclui 65 nações. No país da Oceania, a oferta é de 1,03 aluno por computador. Na China, a média é de 1,75, enquanto a média dos países-membros da OCDE é 1,69. Na Colômbia, o mais bem colocado da América Latina, a média é de 2,85 alunos por máquina.

O estudo mostra ainda que 53,3% dos estudantes brasileiros analisados declaram ter um computador em casa. A estatística é 129% maior que em 2000, quando apenas 23,2% afirmaram possuir o equipamento. Apesar do crescimento expressivo, o país ainda esta longe das nações mais ricas. A média registrada pelos países-membros da OCDE foi de 94,3%, ou 41 pontos porcentuais a mais do que no Brasil.

TUBA OPINA: A pesquisa no Brasil não foi detalhada por estado, porém, no Maranhão, devido à baixa renda da população, muito menos da metade da população tem computador em casa.

Outra questão é que, além de poucos computadores, na maioria das escolas as máquinas estão obsoletas. Praticamente não existe manutenção e atualização dos computadores existentes.

Fonte: O Globo on line

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Computador na lista de materiais dos alunos

imageCom a popularização do computador, o surgimento da Internet e a expansão da rede mundial, a área de educação também começou a se apropriar desta ferramenta digital e deste meio de comunicação para utilizá-los no processo de ensino-aprendizagem.

A aplicação do computador e de outras tecnologias digitais na educação contribui positivamente para o processo de ensino-aprendizagem, à medida que servem de instrumentos motivadores e facilitadores de uma aprendizagem significativa. No entanto, o fato somente de inserir o computador e outras tecnologias em sala de aula não é garantia de aumento de motivação, muito menos de aprendizagem efetiva dos alunos, pois é necessário abandonar o velho e ainda presente paradigma instrucionista, arraigado no sistema educacional, e partir para um modelo que privilegie a construção do conhecimento pelos alunos (paradigma construtivista).

O computador e a internet podem auxiliar nessa mudança de paradigma, ao passo que são ferramentas poderosas para propiciar a interatividade e a aprendizagem colaborativa, próprias de um ensino construtivista, possibilitando um aprendizado significativo dos conceitos de Física ou de qualquer outra área do conhecimento.

Apesar da importância do uso pedagógico do computador como um dos recursos que podem ajudar a mudar a realidade da educação e apesar da inserção gradativa das máquinas com acesso à Internet banda larga nas escolas através de programas do Governo Federal, pesquisa em escolas municipais do Rio mostra que 53 % dos docentes têm dificuldades de lidar com tecnologia na escola.

Leia trecho do texto de Ruben Berta, publicado em O Globo.

Uso do computador ainda assusta professores

Em pleno século XXI, o mundo virtual ainda é um território que causa medo em muitos professores.

Uma pesquisa realizada em parceria pela Secretaria municipal de Educação do Rio, pelo Instituto Oi Futuro e pelo Ibope com 5.505 docentes revela que mais da metade deles (53%) admitiu ter dificuldades em lidar com tecnologia na escola por várias razões. Entre 1.532 diretores de colégios entrevistados, a porcentagem também foi de 53%.

O levantamento ouviu 25.145 alunos: 40% disseram ter problemas para usar a informática nas unidades de ensino.

— Até há pouco tempo, havia uma relação de poder onde o professor era o detentor da informação. Era uma via de mão única. O que estamos notando agora é que os alunos estão um pouco à frente dos docentes, mais familiarizados com tecnologia. E os professores ainda não estão preparados para a aplicação pedagógica. Esse descompasso revela a necessidade de um processo de treinamento e acompanhamento dos profissionais — comentou o vice-presidente do Instituto Oi Futuro, George Moraes.

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"Não se pode ensinar tudo", diz especialista português

Portal IG: Para Antonio Nóvoa, aprovação de muitos novos conteúdos atrapalha escola no ensino do que é fundamental.

image Foto: Universidade de Lisboa

Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, na Suíça, e em História por Sorbonne, na França, o atual reitor da Universidade de Lisboa, o português Antonio Nóvoa, é considerado uma referência em ensino e aprendizado. Em suas palestras pelo mundo – e pelo Brasil - tem defendido que os conteúdos excessivos atrapalham o processo por não permitir reflexão e aprofundamento nem das novas disciplinas e nem das que já eram tradicionais. No caso dos novos temas impostos às escolas brasileiras, ele aprova a inclusão de música que julga “estruturante”. No mais, acha que o professor precisa ter formação e liberdade de escolha. Leia entrevista:

iG: Nos últimos anos, o Brasil incluiu mais conteúdos no currículo da escola básica. O que o sr. acha disso?

Antonio Nóvoa: Tudo depende do tipo de conteúdos. Não se pode ensinar tudo. O fundamental é ensinar o que é estruturante na formação de um jovem, o que lhe permite ler e analisar o mundo, o que lhe permite continuar a aprender, o que lhe dá as bases para uma educação pela vida afora.

iG: Entre os que entraram estão cultura africana e educação financeira e, em agosto, música passa a ser obrigatório.

Nóvoa: O conhecimento das culturas do mundo e, sobretudo, a capacidade de estimular o diálogo entre elas é absolutamente fundamental. Uma das grandes missões da escola é ensinar as crianças a se comunicarem umas com as outras. Mas não creio que a cultura africana, ou qualquer outra, devam ser automatizadas. O mesmo se poderá dizer da educação financeira. Situação totalmente distinta é a música. Aqui, sim, estamos perante um conteúdo que é estruturante da educação das crianças e dos jovens. A música é um elemento central da cultura e da formação das novas gerações.

iG: Como Portugal, Europa e o mundo de forma geral lidam com essa equação de ver cada vez mais conteúdos a ensinar?

Nóvoa: Ninguém lida bem com isso. Todos nos queixamos de que os programas e os currículos são excessivamente extensos. Mas todos nos dedicamos a acrescentar dia após dia mais matérias, mais conteúdos, mais disciplinas. É uma insensatez.

iG: O Brasil ampliou o tempo de educação obrigatória, que ia dos 6 aos 14 anos e agora vai dos 4 aos 17 anos. Isso significa criar condições para que todos os conteúdos sejam dados de forma adequada?

Nóvoa: Não. Esse alargamento é muito importante e acompanha as evoluções mundiais. Mas, por si só, não resolve os problemas da organização do currículo, das disciplinas e dos conteúdos a ensinar.

iG: Professores e gestores que recebem a imposição da lei podem agir de que forma para promover a melhor educação possível?

Nóvoa: Não devemos ter quaisquer ilusões. As reformas, os programas, os conteúdos, a pesquisa e a gestão escolar são muito importante. Mas nada substitui um bom professor. É por isso que os professores devem ter uma excelente formação, que lhes permita agir com autonomia e independência, e bom senso, na escolha dos meios pedagógicos e dos conteúdos de ensino. Sem liberdade dos professores não há qualquer possibilidade de melhorar a educação nas nossas escolas.

Fonte: http://www.ig.com.br

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Brasil é o país com menos graduados entre emergentes

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Pesquisa sobre população que concluiu o ensino superior foi feita com 36 países: apenas 11% dos brasileiros possuíam diploma.

Para concorrer em pé de igualdade com as potenciais mundiais, o Brasil terá que fazer um grande esforço para aumentar o percentual da população com formação acadêmica superior. Levantamento feito pelo especialista em análise de dados educacionais Ernesto Faria, a partir de relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), coloca o Brasil no último lugar em um grupo de 36 países ao avaliar o percentual de graduados na população de 25 a 64 anos.

Os números se referem a 2008 e indicam que apenas 11% dos brasileiros nessa faixa etária têm diploma universitário. Entre os países da OCDE, a média (28%) é mais do que o dobro da brasileira. O Chile, por exemplo, tem 24%, e a Rússia, 54%. O secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, disse que já houve uma evolução dessa taxa desde 2008 e destacou que o número anual de formandos triplicou no país na ultima década.

“Como saímos de um patamar muito baixo, a nossa evolução, apesar de ser significativa, ainda está distante da meta que um país como o nosso precisa ter”, avalia. Para Costa, esse cenário é fruto de um gargalo que existe entre os ensinos médio e o superior. A inclusão dos jovens na escola cresceu, mas não foi acompanhada pelo aumento de vagas nas universidades, especialmente as públicas. “ Isso (acabar com o gargalo) se faz com ampliação de vagas e nós começamos a acabar com esse funil que existia”, afirmou ele.

Costa lembra que o próximo Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece como meta chegar a 33% da população de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior até 2020. Segundo ele, esse patamar está, atualmente, próximo de 17%. Para isso será preciso ampliar os atuais programas de acesso ao ensino superior, como o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que aumentou o número de vagas nessas instituições, o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece aos alunos de baixa renda bolsas de estudo em instituições de ensino privadas e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), que permite ao estudantes financiar as mensalidades do curso e só começar a quitar a dívida depois da formatura.

“O importante é que o ensino superior, hoje, está na agenda do brasileiro, das famílias de todas as classes. Antes, isso se restringia a poucos. Observamos que as pessoas desejam e sabem que o ensino superior está ao seu alcance por diversos mecanismos", disse o secretário.

Os números da OCDE mostram que, na maioria dos países, é entre os jovens de 25 a 34 anos que se verifica os maiores percentuais de pessoas com formação superior. Na Coreia do Sul, por exemplo, 58% da população nessa faixa etária concluiu pelo menos um curso universitário, enquanto entre os mais velhos, de 55 a 64 anos, esse patamar cai para 12%. No Brasil, quase não há variação entre as diferentes faixas etárias.

O diagnóstico da pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e especialista no tema Elizabeth Balbachevsky é que essa situação é reflexo dos resultados ruins do ensino médio. Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio. A maioria ou ainda não saiu do ensino fundamental ou abandonou os estudos. “Ao contrário desses países emergentes, a população jovem que consegue terminar o ensino médio no Brasil [e que teria condições de avançar para o ensino superior] é muito pequena”.

Como 75% das vagas em cursos superiores estão nas instituições privadas, Elizabeth defende que a questão financeira ainda influencia o acesso. “Na China, as vagas do ensino superior são todas particulares. Na Rússia, uma parte importante das matrículas é paga, mas esses países desenvolveram um esquema sofisticado de financiamento e apoio ao estudante. O modelo de ensinos superior público e gratuito para todos, independentemente das condições da família, é um modelo que tem se mostrado inviável em muitos países”, comparou ela.

A defasagem em relação outros países é um indicador de que os programas de inclusão terão que ser ampliados. Segundo Costa, ainda há espaço – e demanda – para esse crescimento. Na última edição do ProUni, por exemplo, 1 milhão de candidatos se inscreveram para disputar as 123 mil bolsas ofertadas. Elizabeth sugere que os critérios de renda para participação no programa sejam menos limitadores, para incluir outros segmentos da sociedade.

“Os dados mostram que vamos ter que ser muito mais ágeis, como estamos sendo, fazer esse movimento com muita rapidez porque, infelizmente, nós perdemos quase um século de investimento em educação. A história nos mostra que a Europa e outras nações como os Estados Unidos e, mais recentemente, os países asiáticos avançaram porque apostaram decididamente na educação. O Brasil decidiu isso nos últimos anos e agora trabalha para saldar essa dívida”, disse a pesquisadora.

Fonte: Agência Brasil

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Ensino religioso em Estado laico: um erro

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O fato de 98 mil escolas públicas e privadas - metade dos estabelecimentos do país- oferecerem ensino religioso, constatado em reportagem desta Folha, vem apenas confirmar o estado de confusão em que se encontra esse aspecto sensível da separação entre igreja e Estado no Brasil.

Colégios particulares podem, é evidente, oferecer até ensino confessional, com vistas a instilar nas crianças e nos jovens uma determinada fé. A escolha é dos pais. Na rede oficial, contudo, a ambiguidade da legislação tem permitido que religiões se insinuem nas salas de aula, o que é descabido. Trata-se de violação flagrante ao artigo 19 da Constituição Federal, que veda à União, aos Estados e aos municípios manter com cultos religiosos ou igrejas "relações de dependência ou aliança".

A dificuldade reside em que outro dispositivo da Constituição (art. 210) admite o ensino religioso, de matrícula facultativa, como disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. O proselitismo é proibido pela Lei de Diretrizes e Bases da educação, mas praticado em mais de um estabelecimento.

Resulta da ausência de regulamentação mais clara que cada Estados se vê livre para adotar padrões díspares nas redes de ensino fundamental. Quatro deles (AC, BA, CE e RJ) enveredam pelo ensino confessional.

Outros 22 optam por um sistema interconfessional, em que as principais religiões definem um conjunto de valores a transmitir - em prejuízo das denominações minoritárias, presume-se, e do pluralismo religioso. Só o Estado de São Paulo fixou uma interpretação inequívoca e coerente com a noção de Estado leigo, em favor do ensino de história das religiões (o que não exclui, por certo, que uma ou outra escola venha a desrespeitar a diretriz).

Para dirimir a questão, o ideal seria uma emenda constitucional eliminando a exigência do ensino religioso. Diante da improbabilidade de que tal solução prospere, por força da influência de igrejas e cultos, resta aguardar uma manifestação terminante do Supremo Tribunal Federal em favor da laicidade do Estado, quando se pronunciar sobre ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Ministério Público Federal.

Fonte: Folha de São Paulo

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País corre o risco de não ter professores para o ensino médio

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Faculdades formam especialistas em áreas e não os capacitam a dar aulas. Queda no desemprego afasta docentes da profissão.

O ensino médio é, certamente, a etapa de ensino em que o trabalho do professor mais se distancia daquilo que seria o "ideal" como modelo pedagógico. Em geral, no ensino superior, os professores não são capacitados para dar aulas. Mesmo as licenciaturas, que têm como objetivo principal formar para a docência, ensinam as pessoas a serem biólogos, físicos, matemáticos, químicos, gramáticos, entre outras profissões.

Quando estes estudantes universitários viram professores do ensino médio, não possuem nenhuma idéia do que deve ser feito para preparar o aluno a seguir, com relativo sucesso, para o ensino superior. Apenas reproduzem o que aprenderam no ensino superior e o que era o seu ensino médio.

É muito difícil para o professor, mesmo aquele que se rebela contra a situação, seguir por outro caminho. Os conteúdos que estão nos livros escolares, nas apostilas das grandes redes de “deseducação” e nos programas dos vestibulares servem de estímulo para que a escola e a sociedade aceitem a situação de ensinar em suas salas de ensino médio o conteúdo que é necessário aos profissionais destas profissões.

Para o aluno, a situação é incômoda. Precisa, para ser entendido como um bom aluno, entender de conteúdos que são necessários para físicos, geógrafos, gramáticos, matemáticos, biólogos e outras tantas profissões. É importante notar que, na maior parte dos casos, professores de matemática não sabem a que período literário pertence a obra de Gregório de Matos.

Professores de português não dominam os efeitos da radioatividade e da reflexão da luz. Professores de física não se lembram o que é um alelo recessivo. Os de biologia sentem dificuldade em compreender como, dobrando a medida de todos os lados de um cubo, chegamos a um objeto com o volume oito vezes maior que o primeiro.

Pois é assim. Cada professor é um especialista em uma matéria, ou área do conhecimento como gostam de dizer, e tem na cabeça um programa que faça de cada aluno um semi-especialista em sua área. O professor sabe pouco de outras áreas, mas acha completamente normal que o aluno tenha que acumular conteúdo de todas elas.

Quanto mais periférica a escola, a situação envolve mais agravantes. Um deles é a falta até mesmo de professores que passaram por uma formação acadêmica equivocada. Em boa parte das escolas temos professores adaptados. Na falta de um professor de história, coloca-se um bacharel em direito. Um matemático acumula as aulas de física. Um enfermeiro assume a cadeira de biologia. No ensino médio é onde mais encontramos esses desvios de função.

Como o ensino médio conta com alunos com um pouco mais de maturidade e independência, por serem mais velhos, existem mais salas que funcionam no período da noite do que no fundamental. Como os salários são baixos, o professor de ensino médio tem mais oportunidades de acumular, graças às aulas à noite, uma carga de trabalho maior.

Vários docentes desta etapa trabalham pela manhã, tarde e noite. Alguns ficam só nas salas de aula. Outros acumulam a função de professor com alguma outra. Para o professor de ensino médio sobra muito menos tempo para o descanso, para a atualização, para o preparo de aulas, para o lazer e para o ócio.

A falta de professores que estudaram para lecionar no ensino médio e atuam nas escolas deve aumentar nos próximos anos, com a consequente substituição por "adaptados", ou a simples vacância de aulas em algumas matérias.

Mesmo que a mudança de nossa pirâmide etária diminua a cada ano o número de alunos matriculados no ensino médio e que a evasão continue alta, a diminuição das taxas de desemprego faz com que cada vez mais pessoas abandonem a profissão.

Em algumas regiões do País, as taxas de desemprego para pessoas com nível superior estão bem próximas do que chamamos de situação de pleno emprego, que é quando a porcentagem de desempregados só representa a mobilidade das pessoas entre um emprego e outro. Professores ganham, em média, 60% a menos que profissionais com o mesmo tempo de estudo. É natural que muitos migrem para outras profissões e que evitem começar a carreira em sala de aula.

Mudar a situação exige um trabalho coordenado do governo. Somente salários melhores poderão atrair mais pessoas para a carreira. Se isso não acontecer, o Brasil corre o risco de simplesmente não ter pessoas dispostas a trabalhar nas salas de aula do ensino médio. Os currículos das licenciaturas precisam considerar que estes profissionais vão atuar na capacitação de alunos para seguir no ensino superior, e não para ser uma enciclopédia de conteúdos. E os currículos precisam ser redirecionados.

Basta da ditadura dos livros didáticos e dos sistemas de ensino. Este ensino, que finge ser educação, na verdade só possibilita o sucesso de uma minoria. A maioria passa por ele sem acumular nada em sua vida. Não é justo que organizemos uma escola que faz com que grande parte dos alunos sinta-se incapaz. Eles não são. A falta de uma função racional para o ensino médio e os erros nas políticas públicas relacionadas a ele fazem com alunos cheguem à idade adulta sem compreender textos, sem conseguir resolver problemas simples de matemática e com dificuldades para atuar de forma cidadã na sociedade.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/p1237785770984.html
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Os tempos mudaram, a alfabetização também

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O computador é hoje a principal ferramenta que introduz as crianças no mundo das letras. Saiba o que muda com isso e como os pais e a escola devem encarar esta transformação.

Por Walter Alves/Gazeta do Povo

Pedro começou a usar o computador aos 4 anos para brincar com jogos. Hoje, aos 5, já sabe ler o que aparece na tela. Segundo a mãe, o estímulo da família foi fundamental.

O computador está mudando o processo de alfabetização das crianças. O acesso fácil desde cedo – a partir dos três anos de idade, de acordo com educadores – incentiva os pequenos a ingressarem no mundo das letras muitas vezes antes mesmo de ter contato com a escola. “É uma geração que está muito à nossa frente em relação ao uso do computador e isso tende a crescer. Não faz mais sentido alfabetizar sem levar em conta essa vivência de informática”, diz o pós-doutor em educação, autor de livros sobre sociologia da educação e professor da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Demo.

O uso precoce, porém, não deve preocupar os pais. Pelo contrário. Segundo os especialistas, faz parte da tendência inevitável de incorporar tecnologia à vida das crianças desde que nascem. Quando ela começa a ser alfabetizada na escola, por volta dos 5 anos – não está mais crua, ou seja, as letras não são mais novidade para ela. “Claro que essa mudança não é de hoje. Acontecia com outros meios, como televisão, brinquedos e outros objetos que ela tinha acesso em casa. Mas o que muda é que o computador entrou nisso e o contato com o mundo online, principalmente com jogos, desperta a curiosidade pela leitura e escrita”, explica a professora de linguística da Universidade de Cam­­pinas (Unicamp) Raquel Fiad.

Embora os benefícios do uso do computador desde cedo sejam grandes para a alfabetização, os pais e professores devem ficar atentos a alguns pontos:

De olho na escrita manual

Por estar acostumada a digitar no teclado, a criança pode ter dificuldade com a caligrafia. O traçado pode ficar ruim e a letra ilegível. Para isso os professores precisam reforçar as atividades com lápis e papel. É fundamental que a escola trabalhe a coordenação motora fina, que corresponde ao movimento mais delicado e preciso. Ela servirá tanto para o desenho das letras no papel quanto para o controle sobre o mouse.

Cuidado com a preguiça

Se por um lado eles ficam mais ágeis mentalmente, por outro deixam as atividades físicas de lado. Para balancear e evitar problemas como a obesidade, pais e professores precisam limitar o tempo dos pequenos no computador, não só em casa, mas também na escola. Os professores não devem substituir atividades dinâmicas, como pular corda, que desenvolvem coordenação motora. O computador é apenas mais uma ferramenta. Segundo especialistas, o limite máximo em casa deve ser de uma hora – se possível espaçada durante o dia – e 40 a 50 minutos na escola.

Estimule contato físico

Deixar a criança muito tempo no computador, sozinha ou não, diminui o contato físico com os pais, o que na faixa etária de 3 a 6 anos é muito importante. O ideal é brincar com ela com outros jogos lúdicos – que também podem ser úteis na alfabetização – e evitar cercá-la de brinquedos que lembrem o compu­tador e outros eletrônicos, como notebooks e celulares de mentira.

Drible o superestímulo

A criança que fica muito no computador e começa a aprender a ler e escrever por ele pode se sentir desestimulada quando vai para a sala de aula, por não encontrar lá os mesmos estímulos visuais que vê na tela. Quando um aluno souber o conteúdo e não quiser prestar atenção na aula o papel do professor é fazer com que ele ensine e ajude um colega. Assim, o conhecimento que ele tem a mais o deixa feliz e não desinteressado.

Fontes: Cynthia Wosche, professora do Colégio Saint Michel, Maria Conceição Diniz, professora da Pré-Escola Recanto Infantil e Annelise Alcoba Ruiz, coordenadora da Educação Infantil e Ensino Fundamental I do Colégio Dom Bosco.

Aprendendo com eles

Para Pedro Demo, quando se fala em dominar a tecnologia as crianças muitas vezes estão na frente dos adultos. Segundo ele, uma pesquisa norte americana mostrou que elas passam em média 20 horas por dia conectadas. A conta inclui as horas em que os aparelhos celulares e computadores passam ligados mesmo quando os pequenos dormem ou fazem outras atividades, mas é um bom indicativo da realidade da Geração Y, a geração que já nasce conectada. De outro lado, os adultos – a Geração X – são iniciantes nesse processo, pois tiveram de incorporar o computador à sua vida e não o contrário. Essa diferença se reflete em sala de aula: muitas vezes quem precisa aprender é o professor. A ele, cabe a sensibilidade de perceber que o processo de letramento precisa atender um novo perfil de aluno, aquele que começa a ler pelo GPS do carro do pai, pelo celular e computador e não pelos livros apresentados em sala.

Há 20 anos trabalhando com alfabetização no Colégio Saint Michel, a professora Cynthia Wosche conta que há dez percebeu essa mudança em sala, mas que mesmo assim ainda se assusta com o que os alunos trazem. “Tento me atualizar não apenas com cursos, mas com a realidade. De tempos em tempos investigo com meus amigos o que os filhos pequenos deles fazem, gostam de ver, mexer. É uma forma de aprender, para surpreender antes de ser surpreendida.”

Para alguns, o primeiro contato é na escola

Enquanto nas escolas particulares a maioria das crianças tem acesso ao computador em casa, nas instituições públicas a situação é diferente. “Não temos o número exato, mas no dia a dia percebo que muitas usam o computador pela primeira vez aqui na escola”, conta Regina Moro Milléo de Medonça, diretora do Departamento de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba.

Desde os 4 anos de idade os alunos dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) podem usar o computador durante as aulas, mas sempre orientados pelos professores. Os primeiros contatos são com atividades complementares, principalmente jogos e imagens que os professores pedem para que eles identifiquem e associem com o que acabaram de aprender. Em cada sala de aula existe o que eles chamam de “Canto.com”, implantado em 2008, que é um espaço onde fica o computador. Para os alunos em fase de alfabetização, os jogos mais usados são os didáticos, que brincam com letras e palavras.

Mas quem pensa que por não terem computador em casa as crianças se atrapalham está enganado. Regina diz que fica assustada com a agilidade e que os pequeninos aprendem muito rápido. “Eles nascem vendo computadores por toda parte, na televisão, na secretaria da escola. Não tínhamos mais como ignorar isso.”

Fonte: Gazeta do Povo Online

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