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Tuba Educação traz notícias selecionadas da área educacional e artigos do Professor Tuba sobre Ensino de Física, Informática na Educação e outros temas educacionais.

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Livros de ensino religioso em escolas públicas estimulam homofobia e intolerância

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Uma pesquisa da UnB (Universidade de Brasília) concluiu que o preconceito e a intolerância religiosa fazem parte da lição de casa de milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. 

Produzido com base na análise dos 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país, o estudo foi apresentado no livro “Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil”, lançado na última terça-feira (22) em Brasília. “O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações”, afirma a antropóloga e professora do departamento de serviço social, Débora Diniz, uma das autoras do trabalho. 

A pesquisa analisou os títulos de algumas das maiores editoras do país. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso - limitada a uma referência anônima e sem biografia-, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo. Ítalo Calvino nem mesmo é citado. 

O estudo aponta que a discriminação também faz parte da tarefa. Principalmente contra homossexuais. “Desvio moral”, “doença física ou psicológica”, “conflitos profundos” e “o homossexualismo não se revela natural” são algumas das expressões usadas para se referir aos homens e mulheres que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. 

Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: “Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?”. 

A pesquisadora afirma que o estímulo ao preconceito chega ao ponto de associar uma pessoa sem religião ao nazismo – ideologia alemã que tinha como preceitos o racismo e o anti-semitismo, na primeira metade do século 20. “É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores”, observa Débora. 

“Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo”, completa a especialista, uma das três autoras da pesquisa. Os números contrastam com a previsão da Lei de Diretrizes e Base da Educação de garantir a justiça religiosa e a liberdade de crença. 

A lei 9475, em vigor desde 1997, regulamenta o ensino de religião nas escolas brasileiras. “Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã”, afirma Débora. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. “Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasileiras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos”, comenta a especialista. (Agência UnB)

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A escola mata a criatividade - Ken Robinson

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Consultor de governos europeus, o professor inglês diz que o sistema educacional inibe as habilidades pessoais. E que nem todos precisam ir à universidade.

Ele elaborou para o ex-primeiro-ministro inglês Tony Blair relatórios de estratégias sobre criatividade e educação

O mundo se divide em duas categorias de pessoas: aquelas que dividem o mundo em duas categorias e aquelas que não.” Arrancando gargalhadas do público de suas conferências, o especialista em educação e criatividade britânico Ken Robinson, 50 anos, questiona por que a maioria das pessoas passa a vida odiando o que faz, “apenas esperando pelo final de semana”, enquanto outras conseguem descobrir seu “elemento-chave”, termo criado por ele que significa a junção do que se faz bem com o que se ama fazer. Robinson conclama o mundo para uma revolução na educação, criando nas escolas um ambiente propício para que os talentos floresçam. Em sua opinião, aquele que não está preparado para errar jamais fará algo de original.

"A maioria das pessoas leva a vida sem nenhum prazer no que faz. Apenas toca a vida, esperando pelo sábado e o domingo"

“O atual sistema educacional mata a criatividade”, afirma. “As escolas estão obcecadas em colocar os alunos na universidade”, diz. Professor emérito da Universidade de Warwick, na Inglaterra, Robinson foi consultor de governos europeus, asiáticos e americano. Na Grã-Bretanha, elaborou para o primeiro-ministro Tony Blair (1997-2007) relatórios de estratégias sobre criatividade, cultura e educação e participou do processo de paz da Irlanda do Norte nos anos 90. Alcançou o grande público com seus livros, que defendem a bandeira do talento e da criatividade. Ele já publicou três best sellers traduzidos para mais de 15 idiomas, mas apenas o terceiro, o recém-lançado “O Elemento-Chave” (Ediouro), está disponível para os brasileiros. Sua popularidade aumentou ainda mais depois que suas conferências foram colocadas no prestigioso site TED, palco de palestras de grandes lideranças mundiais.

ISTO É - O que significa elemento-chave?

KEN ROBINSON - É o que uma pessoa faz naturalmente bem, se divertindo e se sentindo confortável. Pode ser qualquer coisa, como tocar guitarra ou ser bom em matemática. Mas encontrar seu elemento-chave não é somente fazer algo muito bem, porque há muitas pessoas que são boas no que fazem. É também amar o que se faz. Se você gosta daquilo que faz bem, efetivamente está em seu elemento. Mas a maioria das pessoas não tem esse sentimento quando pensa no trabalho delas. Elas levam a vida sem nenhum prazer no que fazem. Frequentemente, não estão fazendo a coisa certa – e não sabem qual é a coisa certa. Então apenas tocam a vida, sem nenhum sentido.

ISTO É - Como fazer, então, para identificar o que você gosta realmente de fazer?

KEN ROBINSON - Uma das formas de perceber se você está em seu elemento é analisar, por exemplo, seu senso de tempo. Se você faz alguma coisa de que gosta, uma hora pode passar em cinco minutos. E o contrário também é verdadeiro. Se você faz alguma coisa de que não gosta, cinco minutos se tornam uma hora e você passa a semana apenas esperando pelo sábado e o domingo. Além disso, se a pessoa faz o que gosta, no fim de semana se sente fisicamente cansado, mas não espiritualmente. Se perguntar por que essas pessoas não fariam outra coisa, não vão nem entender o que você quer dizer, vão dizer que o que elas fazem na vida é o que amam fazer, não se imaginam fazendo outra coisa e não querem mudar.

ISTO É - Mas há algum tipo de passo a passo?

KEN ROBINSON - A primeira lição é acreditar que todos nós temos talentos naturais e habilidades reais. Mais do que isso, temos o direito de descobrir e explorar isso. É preciso ter fé em nós mesmos. Uma recomendação é a pessoa gastar um tempo consigo mesma, para pensar o que ela realmente gosta de fazer e o que teria prazer de fazer para a vida toda. Depois que descobrir, é preciso estar disposta a arriscar, aproveitar e explorar essas oportunidades e talentos, tentando várias coisas diferentes, se deixando sentir tolo às vezes, sabendo lidar com críticas e enfrentando os próprios medos.

ISTO É - Existe uma idade certa para isso?

KEN ROBINSON - A pessoa pode descobrir seu talento em qualquer idade. Conheço pessoas que encontraram seu elemento-chave quando já não eram mais jovens. Semanas atrás, por exemplo, estava conversando com uma senhora de 50 anos que disse que achava que era muito tarde para ela, pois sua grande vontade era dançar balé. Eu disse que provavelmente era realmente tarde para ela ser a dançarina principal do Ballet Bolshoi e perguntei qual era o aspecto do balé de que ela gostava, porque se tivesse a ver com ser capaz de mover o corpo com a música, então por que não experimentava outros tipos de dança? Há muitos outros tipos de dança que ela poderia experimentar. Outro exemplo é uma tataravó que conheço que resolveu estudar direito e acabou de terminar o curso. Antes, ela não podia, estava criando uma família.

ISTO É - Garimpar seus talentos e habilidades é uma questão de sorte?

KEN ROBINSON - Geralmente, quem está em seu elemento diz isso: que teve muita sorte. Mas esses “sortudos” tiveram atitudes diferentes na vida, em comparação aos insatisfeitos. Claro que os primeiros tiveram oportunidades e circunstâncias para tirar proveito, mas ainda assim correram riscos e desejaram tentar algo diferente. Estiveram abertos às oportunidades e enfrentaram a forte oposição de parentes e amigos, que achavam que o que eles faziam não era ­usual. Souberam lidar com as críticas.

ISTO É - As pessoas podem ter mais de um talento?

KEN ROBINSON - Sim, se elas se sentem igualmente propensas a fazer coisas diferentes, não há regras para isso. Além do que, o elemento-chave pode mudar de tempos em tempos: num momento nos sentimos bons em algo e depois em outra coisa. Isso tudo tem a ver com energia, nossas vidas não passam de energia. Precisamos conectar nossas energias às nossas paixões e fazer coisas que tenham significado e propósito. Isso não é novo, é encontrado fortemente em diversas tradições que respeitam a parte espiritual e a energia.

ISTO É - Por que a maioria das pessoas acha que não tem talento?

KEN ROBINSON - A principal causa é a educação. Nosso sistema de educação formal tem 200 anos e durante esse tempo falhamos em conectar os estudantes aos seus talentos. A escola mata a criatividade. Fazemos um uso pobre dos nossos talentos. O sistema é obcecado com as habilidades acadêmicas, em levar os alunos para a faculdade. Nem todo mundo precisa ir para a universidade, nem todo mundo precisa ir na mesma época da vida. Conversei com um rapaz que é bombeiro e ele disse que sempre quis ser bombeiro, desde criança, mas não era levado a sério porque costumam achar que todo garoto sonha em ser bombeiro. E ele ouvia de um professor que iria desperdiçar seu talento. Mais tarde, ele salvou a vida deste professor. Ou seja, as comunidades dependem da diversidade de talentos, não de uma só concepção.

ISTO É - O que há de errado com nosso sistema educacional?

KEN ROBINSON - Somos formados por um sistema educacional fast-food, em que tudo é padronizado, industrializado. Temos de mudar isso para uma educação manufaturada, orgânica. E aprender que o florescimento humano não é um processo linear e mecânico, mas orgânico. A educação precisa ser customizada para diferentes circunstâncias e personalizada. É preciso criar um sistema em que as pessoas busquem suas próprias respostas.

ISTO É - O sr. pode dar algum exemplo concreto?

KEN ROBINSON - As escolas gastam muito tempo com matemática, por exemplo, mas há muito pouco de arte, que, para mim, é fundamental em nossas vidas. As artes visuais e a dança são expressões dos sentimentos humanos, da nossa cultura, mas nas escolas são deixadas de lado, ou pior, até ignoradas. As escolas são obcecadas com um tipo específico de talento e acabam ignorando os outros. Desde a minha juventude, estive cercado de pessoas que me pareciam extremamente talentosas, divertidas e interessantes, mas que estavam profundamente frustradas e pensavam que não tinham nenhum talento, não acreditavam que poderiam conquistar algum respeito. Ao mesmo tempo, também conheci outras que alcançaram muitas coisas. Sempre achei que a educação era a solução para isso.

ISTO É - Como é possível mudar essa situação?

KEN ROBINSON - É preciso tornar a educação mais pessoal, em vez de linear. A vida não é linear. Embora isso seja difícil, não há outra alternativa. Se quisermos encorajar as pessoas a pensar, temos que encorajá-las a ser aventureiras e a não ter medo de cometer erros. Ao longo da vida, os indivíduos vão se tornando mais conscientes e constrangidos e ficam com medo de cometer erros, porque passam por situações em que dão respostas erradas, se sentem estúpidos e não gostam deste sentimento. É preciso criar uma atmosfera, tanto na escola quanto no trabalho, em que não há problema em estar errado.

ISTO É - O sr. é a favor de uma grande reforma escolar?

KEN ROBINSON - Muitos sistemas educacionais pelo mundo estão sendo reformados. Mas reformar é inútil agora. Precisamos de uma revolução na educação, transformá-la em outra coisa. Inovar é difícil porque é preciso lidar com coisas não óbvias, fora do senso comum. As crianças hoje, por exemplo, vivem em um mundo digitalizado, enquanto nossa educação é do século passado. Eu sei que é um trabalho árduo, que implica um grande esforço para ser revertido, mas no mundo inteiro há países que estão tentando consertar isso com seriedade. Os pais também têm seu papel e eles devem começar por dar o exemplo, ou seja, eles próprios aprendendo mais sobre seus talentos.

ISTO É - É possível recuperar a criatividade depois de ser educado dessa forma impessoal?

KEN ROBINSON - Sim. Primeiro você precisa entender o que é criatividade. As pessoas pensam que ser criativo é fazer coisas especiais e que poucas pessoas são especiais. Ou, então, que pessoas criativas são aquelas com espírito mais livre e um pou­co loucas. Mas para ser criativo basta que você esteja executando qualquer coisa, ninguém é criativo na esfera abstrata. E isso pode ser resgatado em qualquer momento da vida.

ISTO É - Para desenvolver os talentos é imprescindível um mentor?

KEN ROBINSON - Ter um mentor é sempre útil, alguém que o encoraje e veja talentos que nem mesmo você sabe que tem. Pode ser os pais, um amigo, vizinho, parente. Ter alguém que o encoraje pode fazer toda a diferença.

ISTO É - Como o sr. educou seus filhos?

KEN ROBINSON - Sempre tentei encorajá-los nas coisas em que eles demonstravam interesse. Minha filha é professora de crianças em Los Angeles e meu filho é ator e agora está tentando se tornar escritor. No final das contas, você não pode viver a vida deles por eles, mas apenas estimulá-los a aproveitar as oportunidades.

Fonte: Revista Isto é ed. 2119
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Relatividade e Física Quântica no Ensino Médio

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Estava ontem conversando com os alunos sobre a inclusão da Teoria da Relatividade e a Física Quântica no currículo do Ensino Médio, as dificuldades para que isso aconteça, principalmente, por causa da carga horária reduzida da disciplina (aqui no Maranhão a Física do segundo ano teve reduzida uma hora-aula. Estou indignado com isso!).

Leia a matéria de Renato Alarcão e Rafael Garcia, do jornal Folha de São Paulo, a respeito da inserção destes conteúdos no currículo do Ensino Médio.

Albert Einstein pode ser o cientista com nome mais conhecido entre pessoas leigas, mas a maioria dos estudantes deixa o ensino médio sem saber o que foi seu trabalho. Uma inovação nos programas escolares, porém, pode mudar isso, levando a física moderna à sala de aula.

Em 2009, a proposta curricular da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo incluiu tópicos antes ignorados, como as teorias da relatividade de Einstein e a física de partículas. A implantação da iniciativa vem esbarrando na falta de professores qualificados, mas um grupo de educadores pioneiros está tentando levar a ideia à frente.

Neste ano, começaram a ser publicados alguns cadernos de trabalho sobre física moderna para alunos de escolas públicas. E está previsto para o ano que vem o lançamento da primeira coleção de livros didáticos para o ensino médio já com os temas.

"O debate sobre inclusão da física moderna no ensino básico remonta aos anos 1960. O problema é [...] a dificuldade de transpor os conteúdos mais modernos para serem ensinados a adolescentes", diz Mauricio Pietrocola, que articulou a produção desse material didático no Núcleo de Pesquisa em Inovação Curricular, da USP.

Matemática

Teorias como a relatividade geral, a explicação mais completa sobre a força gravitacional, envolvem matemática sofisticada demais para o ensino médio. Por isso, a maioria dos currículos não inclui física produzida muito além do fim do século 19.

Pietrocola, porém, afirma que nem sempre é preciso recorrer à aritmética para explicar os conceitos. "Um erro que é preciso evitar é usar em aulas de física uma matemática que não tenha objetivo de interpretar e criar nada."

A dificuldade de despir os conceitos físicos complexos de sua estrutura formal, porém, não intimida cientistas que têm publicado livros de sucesso para leigos.

Maria Cristina Abdalla, pesquisadora do Instituto de Física Teórica da Unesp, lançou em 2006 o paradidático "O discreto charme das partículas elementares". O livro vendeu 8.000 cópias, virou programa de TV e sai agora numa tiragem em DVD: mil cópias que serão distribuídas pelo MEC. "A gente vive hoje em um mundo que tem celular, GPS, tomografia computadorizada. A sociedade tem de ser informada sobre o conhecimento que cria isso", diz Abdalla.

Até assuntos pouco relacionados a aplicações práticas, porém, como a relatividade geral de Einstein, chamam a atenção dos alunos, diz Guaraciaba Tetzner, professora de escola estadual. "Eu mesma não gostava tanto de física antes de entrar na física moderna."

Veja o programa da TV Cultura "O Discreto Charme das Partículas Elementares"

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Alunos do ensino fundamental do Rio terão aulas pela internet

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A rede municipal de ensino do Rio de Janeiro vai inaugurar, a partir de agosto, o site Educopédia. Através dele, os alunos do Ensino Fundamental vão contar com aulas digitais de reforço escolar. A princípio, apenas as disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa vão estar disponíveis. Mas a ideia é, na sequência, acrescentar outras matérias, como Ciência, História e Geografia.

As aulas digitais vão ser autoexplicativas, e vão contar com vídeos, animações, textos, podcasts, quiz e jogos. Os temas das aulas vão ser os mesmos das orientações curriculares seguidas pelos professores.

O conteúdo do Educopédia vai ser elaborado pelos próprios professores da rede municipal, que vão ser selecionados e capacitados por uma equipe da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Cada professor aprovado para realizar o Educopédia vai receber uma bolsa mensal de R$ 900.

Fonte: http://g1.globo.com

TUBA DIZ: Falta fazer o mesmo aqui no Maranhão. Mas vai demorar muito para acontecer. Não existe boa vontade política. Enquanto isso, eu vou tocando o Tuba por iniciativa própria e sem nenhum incentivo estatal.
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Ensino da letra cursiva para crianças divide opiniões

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Escrito por HÉLIO SCHWARTSMAN articulista da Folha 

Deve-se ou não exigir que as crianças escrevam com letra cursiva? A questão, que divide educadores e semeia insegurança entre pais, está ao lado da pergunta sobre o ensino da tabuada entre as mais ouvidas pela consultora em educação e pesquisadora em neurociência Elvira Souza Lima. 

A resposta, porém, não é trivial. Quatro ou cinco décadas atrás, a dúvida seria inconcebível. Escrever à mão era só em cursiva e, para garantir que a letra fosse legível, os alunos eram obrigados desde cedo a passar horas e horas debruçados sobre os cadernos de caligrafia. 

Veio, contudo, a pedagogia moderna, em grande parte inspirada no construtivismo de Piaget, e as coisas começaram a mudar. O que importava era que o aluno descobrisse por si próprio os caminhos para a alfabetização e a escrita proficiente. Primeiro os professores deixaram de cobrar aquele desenho perfeito. Alguns até toleravam que o aluno levantasse o lápis no meio do traçado. Depois os cadernos de caligrafia foram caindo em desuso até quase desaparecer. 

O segundo golpe contra a cursiva veio na forma de tecnologia. A disseminação dos computadores contribuiu para que a letra de imprensa, já preponderante, avançasse ainda mais. Manuscrever foi-se tornando um ato cada vez mais raro. No que parece ser o mais perto de um consenso a que é possível chegar, hoje a maior parte das escolas do Brasil inicia o processo de alfabetização usando apenas a letra de forma, também chamada de bastão. 

Tal preferência, como explica Magda Soares, professora emérita da Faculdade de Educação da UFMG, tem razões de desenvolvimento cognitivo, linguístico: "No momento em que a criança está descobrindo as letras e suas correspondências com fonemas, é importante que cada letra mantenha sua individualidade, o que não acontece com a escrita "emendada' que é a cursiva; daí o uso exclusivo da letra de imprensa, cujos traços são mais fáceis para a criança grafar, na fase em que ainda está desenvolvendo suas habilidades motoras". 

O que os críticos da cursiva se perguntam é: se essa tipologia é cada vez menos usada e exige um boa dose de esforço para ser assimilada, por que perder tempo com ela? Por que não ensinar as crianças apenas a reconhecê-la e deixar que escrevam como preferirem? Essa é a posição do linguista Carlos Alberto Faraco, da Universidade Federal do Paraná, para quem a cursiva se mantém "por pura tradição". 

"E você sabe que a escola é cheia de mil regras sem qualquer sentido", acrescenta. A pedagoga Juliana Storino, que coordena um bem-sucedido programa de alfabetização em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, é ainda mais radical: "Acho que ela [a cursiva] é uma das responsáveis pelo analfabetismo em nosso país. 

As crianças além de decodificar o código da língua escrita (relação fonema/ grafema) têm também de desenvolver habilidades motoras específicas para "bordar' as letras. O tempo perdido tanto pelo aluno, como pelo professor com essa prática, aliada ao cansaço muscular, desmotivam o aluno a aprender a ler e muitas vezes emperram o processo". Esse diagnóstico, entretanto, está longe de unânime. 

O educador João Batista Oliveira, especialista em alfabetização, diz que a prática da caligrafia é importante para tornar a escrita mais fluente, o que é essencial para o aluno escrever "em tempo real" e, assim, acompanhar a escola. E por que letra cursiva? "Jabuti não sobe em árvore: é a forma que a humanidade encontrou, ao longo do tempo, de aperfeiçoar essa arte", diz. 

Magda Soares acrescenta que a demanda pela cursiva frequentemente parte das próprias crianças, que se mostram ansiosas para começar a escrever com esse tipo de letra. "Penso que isso se deve ao fato de que veem os adultos escrevendo com letra cursiva, nos usos quotidianos, e não com letras de imprensa". Para Elvira Souza Lima, que prefere não tomar partido na controvérsia, "os processos de desenvolvimento na infância criam a possibilidade da escrita cursiva". 

A pesquisadora explica que crianças desenhando formas geométricas, curvas e ângulos são um sério candidato a universal humano. Recrutar essa predisposição inata para ensinar a cursiva não constitui, na maioria dos casos, um problema. Trata-se antes de uma opção pedagógica e cultural. Souza Lima, entretanto, lança dois alertas. 

O tempo dedicado a tarefas complementares como a cópia de textos e exercícios de caligrafia não deve exceder 15% da carga horária. No Brasil, frequentemente, elas ocupam bem mais do que isso. 

Ainda mais importante, não se deve antecipar o processo de ensino da escrita. Se se exigir da criança que comece a escrever antes de ela ter a maturidade cognitiva e motora necessárias (que costumam surgir em torno dos sete anos) o resultado tende a ser frustração, o que pode comprometer o sucesso escolar no futuro.
O que a ciência tem a dizer sobre isso? Embora o processo de alfabetização venha recebendo grande atenção da neurociência, estudos sobre a escrita são bem mais raros, de modo que não há evidências suficientes seja para decretar a morte da cursiva, seja para clamar por sua sobrevida. 

Há neurocientistas, como o canadense Norman Doidge, que sustentam que a escrita cursiva, por exigir maior esforço de integração entre áreas simbólicas e motoras do cérebro, é mais eficiente do que a letra de forma para ajudar a criança a adquirir fluência. Outra corrente de pesquisadores, entretanto, afirma que, se a cursiva desaparecer, as habilidades cognitivas específicas serão substituídas por novas, sem maiores traumas.

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Excesso de informação altera a capacidade de concentração?

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Segundo cientistas, o que está ocorrendo com quase todas as pessoas que vivem os tempos modernos, checando e-mails o tempo todo, recebendo ligações e torpedos de celulares, e sendo abastecido de novidades das mais diferentes fontes, é uma sobrecarga de informações que pode mudar a maneira como as pessoas pensam e se comportam, dizem os cientistas. Eles argumentam que nossa habilidade para focar está sendo minada pelo excesso de informações.

Leia matéria completa do Jornal O Globo clicando aqui.

Ouça os comentários de Cony, Xexéo e Viviane Mosé na Rádio CBN:

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Senadores aprovam emenda que destina 50% dos recursos do Fundo Social para educação

imagePreste atenção nesta notícia, que isto poderá mudar a realidade da educação pública brasileira:

Metade dos recursos recebidos pela União com a venda do petróleo do pré-sal será destinada à educação. A emenda ao projeto que cria o Fundo Social foi aprovada nesta madrugada (10) pelos senadores.

Essa era uma reivindicação da UNE (União Nacional dos Estudantes), que fez várias mobilizações no Congresso Nacional para pressionar os deputados e os senadores pela aprovação da emenda.

Também foram aprovadas pelos senadores mais oito alterações no texto-base do projeto que cria o Fundo Social. Entre elas a que determina que 5% dos recursos do fundo que o governo destinar ao combate à pobreza devem ser encaminhados à Previdência Social.

O texto do Fundo Social volta agora para a Câmara dos Deputados, que deverá analisar apenas se concorda ou não com as alterações propostas pelo Senado. Os deputados não poderão fazer novas emendas.

Mariana Jungmann
Da Agência Brasil

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É preciso reinventar a escola

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Educação é assunto atraente não apenas para quem atua ou pesquisa na área, mas à comunidade em geral. Afinal, todos estamos envoltos em processos educativos. Mas como será que esses processos ocorrem e como deveriam acontecer no ambiente oficialmente instituído para esse fim: a escola? Para o professor livre-docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador da área da educação, Silvio Gallo, a escola precisa mudar. E essa modificação deve ocorrer não apenas na forma de trabalhar conhecimentos, mas na estrutura física. Confira os principais trechos da entrevista:

Pioneiro: Quais são os desafios da educação?

Silvio Gallo: Procurei caracterizar a educação envolvendo dois aspectos, fundamentalmente. Um deles poderíamos chamar da transmissão do legado cultural da humanidade, que serve para transmitir de geração em geração o que produzimos, para que o conhecimento e a prática não se percam e haja uma evolução histórica da humanidade. Outro aspecto importante da educação é que produzimos por conta de uma característica humana, a criatividade. Então, o grande desafio da educação em qualquer tempo e lugar é como articular as duas coisas. Isso pode parecer simples, mas não é. O mundo vem passando por transformações e parece que a escola não cumpre tão bem seu papel. Não sei em Caxias, mas em vários lugares do Brasil a gente vê situações complicadas de violência, de indisciplina e de depredação da escola.

Pioneiro: Essa violência é dos tempos atuais ou já existia no passado e agora ganhou atenção? O bullying vive na mídia...

Gallo: São duas coisas distintas. A questão do bullying está na moda. A psicologia jogou luz sobre isso, que, de uma maneira ou outra, sempre existiu, não sei se na mesma intensidade porque não tenho estudos nessa direção. A gente não deu esse nome, mas sempre esteve aí. Vemos isso nos filmes que retratam crianças humilhadas na escola, sofrendo situações de violência. Isso faz parte das relações humanas e do universo escolar. A diferença é que hoje virou tema de investigação e, talvez, estamos dando mais ênfase que o necessário. Por outro lado, situações de violência contra a instituição escolar são coisas mais recentes. Há 40 ou 50 anos, não era comum termos crianças depredando escola. Hoje parece ter muito mais situações de indisciplina do que disciplina, e o curioso é que não é um fenômeno específico do Brasil. São sinais de que essa escola, como está estruturada, já não atende às necessidades. O problema é que nós, educadores, tendemos a ter uma visão mais conservadora e dizemos que os alunos não se adaptam à escola. É preciso ações para fazer com que eles se adaptem a esse universo. Só que eles, os alunos, estão nos dizendo que esse universo já não funciona mais.

Pioneiro: Como está a relação professor-aluno-família?

Gallo: Tem um divórcio grande das famílias e comunidades em relação à escola. A gente fala em escola pública, mas, em geral, a população não assume a escola como sendo sua. A escola pública é a do governo, a do Estado, mas não é minha. E a escola também não se preocupa em estar inserida dentro de uma comunidade, em desenvolver trabalhos com ela. Isso nos levou a um sentido de isolamento da educação pública. Talvez tenha participação maior em escola privada, mas nessa você tem uma relação comercial do cliente com alguém que está oferecendo um produto. Claro que há exceções.

Pioneiro: As crianças e adolescentes conseguem operar vários recursos tecnológicos ao mesmo tempo. A escola está sabendo acompanhar essa realidade?

Gallo: De forma alguma. Por que as crianças não suportam a escola? Porque ela segue o modelo das gerações antigas, em que você tem um tempo para fazer cada coisa. O momento de ouvir o professor é para ouvir o professor, o momento do recreio é o momento do recreio, tudo muito organizado. Só que as novas gerações são capazes de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. A escola não tem sabido lidar com isso e a gente tem cada vez mais tecnologias interessantes que podem servir muito para o aprendizado, desde que ele seja orientado. Lógico que há exceções. Tem coisas interessantíssimas em escolas brasileiras por aí. Precisaríamos começar a observar essas coisas interessantes feitas por pessoas que estão reinventado a escola e tornar mais público.

Pioneiro: A educação inclusiva é item em discussão no país. Como o senhor observa esse debate?

Gallo: Existe uma filosofia de educação inclusiva que está sendo implantada no Brasil. Ela avança em alguns momentos, mas também apresenta problemas. Um deles é o despreparo dos professores. Você pode ter um aluno surdo e um cego em sala de aula e o professor tem de saber lidar com isso, mas, em geral, o professor não é preparado para isso. Essa discussão vem aparecendo agora nos cursos de formação de professores. Acho que tem existido investimentos e preocupação nesse sentido. A questão é que há problema na filosofia da educação inclusiva. Quando a gente diz que um aluno com determinadas necessidades distintas dos outros tem o direito de ser tratado como o outro, estamos recusando a ele o direito de ser atendido na sua especialidade. A inclusão de um estudante por necessidades especiais numa turma regular traz mais benefício para a turma regular do que para o estudante com necessidades especiais. Em nome de acolher o diferente, tratamos ele como se fosse igual. O que deveria ter é uma integração entre uma educação especial e uma educação inclusiva.

Pioneiro: Diante dos casos de violência entre alunos e professores, é possível pensar uma educação para a paz?

Gallo: Sinceramente, eu não acredito em nenhuma educação “para”, educação para a paz, para o amor, para a felicidade. Sempre que se coloca uma meta para a educação, a gente perde a dimensão de que a educação é a formação do ser humano. Então, não tem um “para”. A educação está aí para formar o ser humano, sem especificidades. Esse tipo de ação da educação para a paz é uma coisa meio band-aid: você tem um problema e coloca um curativo, um paliativo. Os problemas que temos visto na escola são sintomas de que a escola está doente e de que ela não pode mais ser do jeito que é. Ou temos que extinguir a instituição escolar ou reinventá-la.

Pioneiro: Como?

Gallo: Não é uma reinvenção só de comportamento e atitude, mas do espaço. Essa escola com uma sala fechada e carteiras enfileiradas, que tem um pátio, uma quadra, tem de mudar. É preciso mudar a organização do espaço, o currículo e o tipo de saberes com que se lida na escola e como você garante o acesso a eles. Eu não tenho uma resposta no seguinte sentido: deveria ser assim a boa escola. Tem de saber olhar o que está acontecendo, porque ali se tem indicativos do que a juventude gostaria de ter em termos de escola. É preciso, sobretudo, descentralizar. O processo de reinvenção da escola é também um processo de multiplicação das novas escolas. A gente tem um processo padrão, quando deveria investir numa multiplicidade de formas de escola. Você pode ter uma escola em sua cidade que seja completamente diferente da escola da minha cidade e ela funciona muito bem e a sua funciona muito bem. A saída parece estar em buscar essa multiplicidade sem impor um modelo.

Na UCS Silvio Gallo participou como conferencista do 5º Congresso Internacional de Filosofia e Educação (Cinfe), promovido em maio pelo Centro de Filosofia e Educação e pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS.

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Professor: carreira pouco atraente

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Média salarial é de R$ 1,8 mil para docentes do fundamental. Caixas de banco, policiais e contadores ganham até R$ 4 mil a mais.

Na hora de escolher uma profissão, poucos são os jovens que disputam vagas em cursos de licenciatura ou pedagogia, as carreiras que foram professores para a educação básica no País. A falta de bons salários e de valorização profissional desanima os estudantes.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego sobre a remuneração dos docentes – tabulados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – mostram que a remuneração média de um professor que trabalha 40 horas por semana em instituições públicas ou privadas é bem menor do que a de outros profissionais tão importantes para a sociedade quanto ele.

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2008, quem dá aulas na educação infantil recebe, em média, 1,7 mil. No ensino fundamental, R$ 1,8 mil. No ensino médio, R$ 1,9 mil. Já a remuneração média de um caixa de banco é R$ 2,7 mil. A de um policial, R$ 3,3 mil, quase o dobro de um professor que atua em creche ou pré-escola. Um contador ganha até R$ 4 mil a mais.

Quando se avalia as profissões mais prestigiadas pelos estudantes, então, as diferenças ficam gritantes. A média salarial de um médico que trabalha 40 horas por semana é de R$ 6 mil. A de um advogado, R$ 6,3 mil e a de um engenheiro, R$ 7,4 mil.
“A realidade é que, hoje, os alunos querem ser qualquer coisa, menos professores, porque eles sabem a luta que terão de enfrentar”, afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão. “Enquanto não valorizarmos a carreira, não teremos profissionais suficientes para atuar nas escolas.”

Uma pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas mostra que apenas 2% dos estudantes de ensino médio querem cursar uma licenciatura ou pedagogia. O estudo divulgado em fevereiro ouviu 193 alunos em grupos de discussão e recebeu 1,5 mil questionários respondidos por jovens de sete estados das cinco regiões brasileiras.

Apesar de os estudantes reconhecerem a importância do professor para a sociedade, eles acreditam que a profissão é desvalorizada pela sociedade e pelo governo, segundo a pesquisa. Os resultados revelam que alguns (32%) haviam considerado a possibilidade de investir na carreira, mas desistiram.
Piso salarial

Leão lembra que nem o piso nacional estabelecido para o magistério está sendo cumprido em todos os estados e municípios. Em julho de 2008, o Congresso Nacional aprovou lei que determina a remuneração mínima de R$ 950 a todos os professores do País. Em janeiro de 2010, o MEC recomendou o aumento para R$ 1.024. Mas o fato é que, até hoje, não são todos os estados e municípios que cumprem a medida.

Uma ação movida por governantes estaduais com apoio da Confederação Nacional dos Municípios (CMN) aguarda parecer final no Supremo Tribunal Federal (STF). Para esses gestores, o piso é inconstitucional da forma como foi aprovado pelos parlamentares. Segundo a lei, gratificações e benefícios não devem ser incluídos na conta para se atingir o piso.
“Já é uma vergonha que o piso salarial da categoria seja de R$ 1.024. Para a CNTE, esse valor deveria ser de R$ 1.312. Além do piso temos de oferecer perspectivas a esses jovens, com um plano de carreira”, defende o presidente da CNTE. Leão argumenta que a qualidade da educação depende de investimentos em infraestrutura e nos profissionais da área.

Uma comparação feita pelo Inep confirma a tese de Leão: a formação docente interfere diretamente na qualidade de ensino aos alunos. Entre as dez escolas com melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), quase 90% dos professores tinham curso superior. Já entre as piores, pouco mais da metade deles possuía a mesma formação.

“A educação, historicamente, tem sido um bom mote para fazer campanha, mas os investimentos nas escolas diminuíram. Ampliamos o acesso à escola, mas continuamos investindo apenas 4,5% do PIB em educação. É muito pouco diante das dificuldades”, afirma.

Priscilla Borges, iG Brasília
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Baixa qualidade do ensino de matemática está na formação do professor

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Muitos docentes se formam em cursos de pedagogia que não oferecem conteúdos da área.

O problema da baixa qualidade do ensino da matemática nas escolas públicas está centralizado na formação incipiente dos professores para o ensino da disciplina. O diagnóstico é da professora da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisadora do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplica) Suely Druck. O ensino da matemática e de ciências na educação básica foi debatido nesta quinta-feira (27) durante a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na avaliação de Suely, que é também coordenadora da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), vários fatores contribuem para a deficiência do ensino da disciplina, desde o financiamento à descentralização da organização do ensino.

- Mas a formação do professor é o cerne do problema e é o mais difícil de ser enfrentado. Hoje temos uma quantidade muito grande de professores em sala de aula que não estão preparados para isso.

Para a especialista, o primeiro passo é “estancar” a má-formação em cursos de baixa qualidade. Ela destaca que os estudantes de cursos de pedagogia, que irão lecionar para os alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, recebem um conhecimento muito incipiente de matemática durante sua formação.

- É praticamente nada [o que eles aprendem]. A maioria vai dar aula de matemática e a última vez que eles viram o conteúdo foi quando eram alunos do ensino médio.

O professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Eduardo Mortmer ressaltou ainda que dentro das graduações de matemática, química e física, há pouco interesse por parte dos estudantes em trabalhar como professor de educação básica.

- O sistema de ensino não consegue segurar o professor que se qualifica. Os mestres e doutores formados nessas áreas hoje vão lecionar no ensino superior.

Atualmente, há carência de professores de áreas como química e física para atuar na sala de aula. Muitas vezes a função é exercida por profissionais formados em outros cursos. Mortner apontou que nos últimos 20 anos, 30 mil se graduaram em química. Mas só 8.000 das 24 mil vagas para professor dessa disciplina são ocupadas por licenciados na área.

Mortmer aponta os baixos salários oferecidos pela rede pública como principal motivo para afastar esses profissionais da carreira do magistério.

- O governo hoje está gastando muito dinheiro para formar professores, mas isso não tem retorno esperado porque eles não ficam no sistema.
 
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