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Mural do Tuba Educação

Tuba Educação traz notícias selecionadas da área educacional e artigos do Professor Tuba sobre Ensino de Física, Informática na Educação e outros temas educacionais.

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Professores despreparados

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Por falta de docentes qualificados em disciplinas muito específicas, a rede pública de ensino básico do Estado de São Paulo anunciou que terá de continuar utilizando professores temporários em 2011. A informação revela as dificuldades que as autoridades educacionais paulistas vêm enfrentando para tentar melhorar a qualidade da educação fundamental e média, mediante o aumento do número de professores selecionados em concurso público pelo critério de mérito.

Dos 181 mil docentes temporários que se submeteram a um exame de avaliação preparado pela Unesp e aplicado em dezembro de 2009, cerca de 88 mil não alcançaram a nota mínima para lecionar. Ou seja, quase metade dos candidatos foi reprovada, não tendo acertado metade das 80 questões. Isso deixa claro por que a categoria se recusou a ser avaliada quando a medida foi adotada pelo então governador José Serra, em 2008.

No último concurso de ingresso para o magistério público, os resultados foram tão decepcionantes quanto os da prova de avaliação dos docentes temporários. Dos 261 mil inscritos, apenas 52.839, 22,8% do total, conseguiram obter a nota mínima de aprovação. Na disciplina de artes, 82% dos 13.003 candidatos foram reprovados. E, dos 29.519 docentes que disputaram as vagas de educação física, 78,8% não obtiveram a nota mínima.

Em língua portuguesa, a taxa de aprovação foi 18,1%. Em biologia, ela foi de 20,4%; em história, atingiu 23,4%; em geografia, 32,3%; e em química, 33,2%. São médias muito baixas, que revelam a má qualidade dos cursos de licenciatura. Eles despejam anualmente no mercado milhares de bacharéis sem preparo teórico e sem treinamento pedagógico para lecionar na área em que se especializaram, o que é absurdo. Que tipo de atividade didática esperar de quem não conhece a disciplina que pretende ensinar?

A taxa mais alta de aprovação foi em inglês, onde 43,6% dos candidatos obtiveram a nota mínima de aprovação. As situações consideradas críticas pelas autoridades educacionais ocorreram nas disciplinas de matemática e de física. Em matemática foram reprovados 89,3% dos 27.308 professores que participaram do concurso de ingresso. E, em física, a reprovação foi de mais de 93%, motivo pelo qual só puderam ser preenchidos 304 dos 941 cargos levados a concurso. Por causa disso, a Secretaria da Educação terá de fazer o que não queria: convocar temporários, para evitar falta de professores da disciplina nos colégios estaduais.

Como as autoridades educacionais já estimavam que fosse baixo o nível médio de preparo dos candidatos ao magistério público, os candidatos aprovados passarão por uma Escola de Formação de Professores, entre agosto e novembro. Depois do curso, esses professores terão de se submeter a um novo exame e somente os que forem aprovados lecionarão na rede escolar pública, a partir de 2011.

Dependendo dos resultados dessa prova, a Secretaria da Educação poderá ter de chamar um número ainda maior de docentes temporários, em 2011. Isso seria um retrocesso na política de melhoria da qualidade do ensino público no Estado.

Para sair desse círculo vicioso há duas estratégias complementares. A primeira é de alçada do governo estadual e consiste em investir na formação continuada do professorado, como prevê a lei que obriga os docentes da rede escolar estadual a cursar uma Escola de Formação, antes de assumir uma sala de aula, e que autoriza o governo a conceder bolsas de estímulo para o professor que fizer cursos de especialização e atingir metas prefixadas.

A segunda estratégia é de alçada da União e consiste em cobrar mais rigor dos cursos de licenciatura e criar um padrão mínimo de qualidade para que possam continuar funcionando. Como estes são baratos, uma vez que os gastos são apenas com giz e biblioteca, foi por meio deles que a iniciativa privada se expandiu no âmbito do ensino superior, a partir da década de 1990. Eles cobram mensalidades baixas, mas são muito fracos, o que sobrecarrega as Secretarias da Educação com atividades de formação e treinamento.
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Não reprovar é a solução?

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Em muitos países desenvolvidos, alunos dificilmente reprovam, mas também dificilmente NÃO aprendem. Aqui no Brasil, o índice de repetência é considerado muito alto, assim como a quantidade de alunos que NÃO aprendem. Isto mostra a baixa qualidade da escola pública brasileira.

Então, que tal não reprovar mais no Ensino Fundamental? Assim, Igualar-nos-íamos às nações desenvolvidas. Porém, isso resolveria a qualidade do ensino?

Há educadores que acreditam que, por si só, essa medida resolveria parte do problema; outros acham que investir na qualidade do ensino, na formação dos professores, na valorização do professor e no suporte social às famílias carentes seriam medidas mais eficazes para acabar com a reprovação (desta forma, naturalmente ela diminuiria).

Leia o post anterior do Tuba Educação sobre a proposta do Conselho Nacional de Educação de recomendar, veementemente, às secretarias de educação o fim da reprovação nas primeiras três séries do Ensino Fundamental.

A polêmica é grande. Veja o que pensam Cony e Viviane Mosé, dá Rádio CBN, sobre essa proposta do CNE:

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MEC vai recomendar o fim da reprovação

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O Conselho Nacional de Educação vai propor, e o MEC recomendará a escolas públicas e privadas, que não reprovem mais alunos dos 3 primeiros anos do ensino fundamental para reduzir a evasão. A medida divide especialistas e entra em vigor em 2011.

Com os dados do censo escolar de 2008 em mãos, quando 74 mil crianças de 6 anos foram reprovadas, e depois de realizar três audiências públicas — em Salvador, São Paulo e no Distrito Federal — o Conselho Nacional de Educação (CNE) se prepara para recomendar “fortemente” que todas as escolas públicas e privadas não reprovem mais alunos matriculados nos três primeiros anos do ensino fundamental.

A resolução, que terá que ser homologada pelo ministro Fernando Haddad neste último ano do governo Lula, entrará em vigor em 2011, segundo Edna Martins Borges, coordenadora-geral do Ensino Fundamental da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

— O Brasil tem uma cultura forte de reprovação. Como estamos atualizando as diretrizes para a educação, vamos recomendar fortemente o princípio da continuidade. Sabemos que não tem a força de uma lei, mas as recomendações do CNE direcionam o sistema educacional — explica Edna, dizendo ainda que o Conselho espera que o Brasil deixe, daqui a alguns anos, de reprovar em todas as séries do ensino fundamental. — O ideal é que a criança conclua mesmo em nove anos, pois ser reprovada faz com que interrompa o sucesso escolar que poderia ter.

No Nordeste, onde temos altas taxas de evasão, a reprovação é uma das responsáveis pelo aluno abandonar o colégio.

Para professor da UFRJ, mudança é ‘temerária’ Segundo Edna, cada escola terá autonomia para elaborar seu projeto pedagógico, o que pode incluir flexibilização das turmas, trabalhos especiais para alunos em dificuldades e aulas extras.

No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), existem mais de 152 mil escolas, com 31 milhões matriculados no ensino fundamental. Pouco mais de dois milhões têm mais de cinco horas de aula por dia.

— Largadas à própria sorte, sem respaldo das secretarias de educação e do MEC, as escolas dificilmente terão sucesso. A história já mostrou que desacompanhada de professores bem formados, sem boa gestão, sem recursos corretos para ajudar no aprendizado e com grande número de alunos em sala, a progressão não dá bom resultado — diz Claudia Fernandes, coordenadora da Pós-Graduação em Educação da UniRio.

Professor de políticas públicas e formação humana da UERJ, Gaudêncio Frigotto concorda que propor a mudança deixando que as escolas decidam o que fazer é “temerário”: — Não adianta as crianças terem o direito de passar, se não têm o direito de aprender. As escolas públicas do Brasil são também espaço de merenda, de educação sexual, têm que lidar com a violência, não estão só ligadas ao conhecimento. Legalizar a realidade que temos em sala de aula com aprovação automática é temerário.

Responsável por uma turma do 3º ano do ensino fundamental em uma escola municipal em Cordovil, na Zona Norte do Rio, Inês Barbosa já convive com a aprovação automática e acha que o respaldo do MEC prova que “o ministério não conhece o que enfrentamos no dia a dia”: — Tenho uma turma com 32 alunos entre 8 e 11 anos. Os que têm dificuldades tinham a ajuda de uma estagiária, mas agora ela só pode atender no mesmo turno das aulas. Então, eles vão às aulas ou ao reforço — diz Inês.

— O MEC propor que professores criem alternativas quando estão sobrecarregados, sem material didático, em escolas sem horário integral e lidando com pais que muitas vezes não podem acompanhar os estudos dos filhos é a prova de que não conhece o que enfrentamos.

Professor da Faculdade de Educação da USP, Vitor Henrique Paro gostaria que o MEC tivesse coragem para acabar com a aprovação em todas as séries.

— Não sei porque a timidez, a reprovação é um mal — diz ele, para quem as escolas são “ruins desde o século XIX e a reprovação é o álibi desse modelo”.

— Essa mudança é um primeiro passo para que haja uma revolução. Os pais vêem os filhos sendo reprovados e acham que eles não servem para estudar.

Com a aprovação automática, os pais terão a chance de entender que há algo errado com a escola, pois seus filhos poderão chegar ao 8º ano e isso não será sinônimo de que aprenderam algo. Se for proibido reprovar, as pessoas serão obrigadas a ensinar.

Fonte: O Globo
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Violência escolar: Aluno é condenado por bullying

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Está notícia saiu nos jornais dias atrás: Um aluno da 7ª série do Colégio Santa Doroteia de Belo Horizonte (MG) foi condenado por prática de bullying contra uma colega de classe. A indenização, fixada pelo juiz Luiz Artur Rocha Hilário, da 27ª Vara Cível de Belo Horizonte, é de R$ 8 mil. A decisão é em primeira instância e ainda cabe recurso.

A estudante disse que, em pouco tempo de convivência escolar, o menino começou a lhe colocar apelidos e fazer insinuações sobre a sua sexualidade. Ela afirmou ainda que procurou a coordenadora da 7ª série e que seus pais chegaram a conversar na escola, mas não tiveram respostas.

Veja o que pensam Cony, Xexeo e Viviane Moser, da Rádio CBN, sobre o assunto bullying, se isto é algo novo ou existe desde que escola é escola:


Quer saber mais sobre o caso do estudante condenado por bullying, leia a notícia de O Globo clicando aqui.
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PLANO B: ESQUEÇA A FACULDADE

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Educadores acreditam que é necessário desenvolver alternativas para alunos que não serão bem-sucedidos em um curso de graduação.

Qual é o segredo para o sucesso nos Estados Unidos? Além da opção de se tornar uma celebridade de reality show, a resposta é geralmente a mesma e, há quem diga, automática: faça uma faculdade.

A ideia de que quatro anos de educação formal no ensino superior se traduzem em um emprego melhor, salário mais alto e uma vida mais feliz - refrão que será repetido este mês em cerimônias de formatura de todo o país - é colocada na cabeça de jovens, pais e educadores desde cedo.

Mas há outro lado desta moeda feita de sabedoria popular. Talvez menos da metade daqueles que começaram um curso de graduação no outono de 2006 irá se formar em um prazo de seis anos, segundo as projeções mais recentes do Ministério da Educação.

Para os alunos do ensino médio que se qualificaram por último em suas classes os números são ainda mais alarmantes: 80% provavelmente nunca chegarão a conseguir o diploma ou mesmo um certificado depois de anos de estudo estudos.

E o preço pode ser muito alto. Um pequeno porém influente grupo de economistas e educadores busca incentivar outro caminho: alguns alunos deveriam esquecer a faculdade, afirmam. É chegado o momento, dizem, de se desenvolver alternativas possíveis para estudantes que provavelmente não serão bem-sucedidos em um curso de graduação ou simplesmente não estão preparados.

Entre aqueles que pedem essas alternativas estão os economistas Richard Vedder, da Universidade de Ohio, e Robert Lerman, da Universidade Americana, o cientista político Charles Murray e o professor de educação da Universidade Northwestern James Rosenbaum.

Eles acreditam que seria melhor orientar alguns estudantes para cursos intensivos de curta duração e treinamento profissional, por meio da expansão de cursos técnicos de ensino médio e programas para formar aprendizes.

“É verdade que precisamos de mais nano cirurgiões do que há 10 ou 15 anos”, disse Vedder, fundador do Centro de Produtividade e Capacidade Universitária, uma companhia de pesquisas sem fins lucrativos de Washington. “Mas os números ainda são relativamente pequenos em comparação aos de assistentes de enfermagem que iremos precisar. Nós precisaremos de centenas de milhares de enfermeiros na próxima década.” E grande parte do treinamento, segundo ele, pode acontecer fora da universidade.

O diploma universitário simplesmente não é necessário para muitos postos de trabalho. Dos 30 postos de trabalho que irão crescer na próxima década nos Estados Unidos, apenas sete requerem um diploma, segundo o Gabinete de Estatísticas do Trabalho.

Entre as 10 principais categorias de empregos apenas duas exigem diplomas universitários: contabilidade (um bachalerado) e o ensino superior (um doutorado). Mas isso é pouco se comparado à necessidade de enfermeiras, representantes de serviços de atendimento ao cliente e lojistas. Nenhum destes empregos exige diploma.

O professor Vedder gosta de questionar por que motivo 15% dos carteiros têm um diploma, de acordo com um estudo federal de 1999. “Alguns deles poderiam ter comprado uma casa com o dinheiro que gastaram em educação", disse.

Ainda que alguns educadores proponham uma remodelação radical do sistema de universidades para que preparem as pessoas para o mercado de trabalho, Lerman defende um significativo investimento nacional tanto pelo governo quanto por empresas privadas no treinamento por meio de programas para o treinamento de aprendizes.

Mas ao incentivar que alguns estudantes sejam afastados dos quatro anos de universidade, acadêmicos como Lerman estão provocando uma reação no sistema educacional. No mínimo, eles poderiam ser acusado de baixar as expectativas de alguns alunos.

Alguns críticos vão mais longe, sugerindo que essa abordagem educativa é o mesmo que discriminação, uma vez que muitos dos estudantes que abandonam a faculdade são negros ou hispânicos.

Mas outro argumento do processo contra a faculdade é que pessoas com diplomas e licenciaturas geralmente ganham mais do que aquelas sem a formação e enfrentam riscos mais baixos de desemprego, segundo dados do Gabinete de Estatísticas do Trabalho.

O órgão alerta contra ignorar os benefícios intangíveis de uma experiência universitária - mesmo uma experiência incompleta - para aqueles que possam não aplicar aquilo que aprenderam diretamente no seu trabalho.

"Eu não digo que as pessoas não devem tentar se formar. Apenas acredito que todos deveriam ter opções intermediárias e, se quisessem, seguir adiante com sua educação ou não."
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MEC planeja criação de "Enem" para professores


Exame nacional poderá ser usado para seleção de educadores. Adesão de secretarias estaduais e municipais será facultativa.

O Ministério da Educação (MEC) trabalha na criação de um concurso nacional para selecionar professores para a rede pública de ensino. O ministério pretende realizar a primeira prova do Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente em 2011. Na primeira edição, poderão participar educadores dos primeiros anos do ensino fundamental (1º ao 5º ano) e da educação infantil.

A seleção será parecida com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e também ficará sob responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). O professor fará a prova e poderá usar a nota para ingressar em qualquer uma das redes de ensino que aderirem ao programa.

As secretarias que decidirem aderir ao exame terão liberdade para usar a nota para a seleção em fase única ou como primeira fase do processo. A abertura dos concursos também poderá ser feita a qualquer momento dependendo da necessidade de cada rede de ensino. Como o Enem, a prova será anual.

Segundo a coordenadora-geral de instrumentos e medidas educacionais do Inep, Gabriela Moriconi, um documento com a concepção do exame e temas que farão parte do exame serão disponibilizados para consulta pública no site do Inep a partir desta quarta-feira (19).

De acordo com Gabriela, a prova terá vários temas, como metodologia de ensino, políticas educacionais, direito e conteúdos específicos. Para criar o programa, foram analisados países que buscam ter um padrão de professores. Esses países foram Austrália, Canadá, Cingapura, Chile, Cuba, Estados Unidos e Inglaterra.

“São países com sistemas de ensino e contextos diferenciados, mas todos entendem que o bom professor tem de ter domínio do conteúdo que vai lecionar e conhecer as metodologias de ensino”, disse Gabriela.

Professores, universidades, estados e municípios vão poder opinar sobre o modelo da prova durante os 45 dias de consulta pública. “Após esse período, equipes técnicas do Inep irão trabalhar para fechar a matriz do exame. Pretendemos ter um banco de questões para a prova até o fim do ano”, disse Gabriela.

De acordo com a coordenadora, secretarias estaduais e municipais do país mostraram interesse no projeto. "Apresentamos ao Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), que se mostrou receptivo à ideia", disse.

Fonte: G1
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Por que a Finlândia tem a melhor escola do mundo?

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Escrito por Marina Morena Costa, iG São Paulo

Bons professores e alto nível de exigência são indicadores de sucesso em educação na Finlândia

A Finlândia tem o sistema educacional considerado o melhor do mundo. Foi três vezes campeã do Programa Internacional de Avaliação por Aluno (PISA), a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo o professor Reijo Laukkanen, do Internacional Education Policy, da Universidade de Tempere, na Finlândia, o segredo do case de sucesso deve-se em grande a formação dos professores finlandeses e as altas expectativas que eles têm de seus alunos.

Durante palestra realizada nesta quinta-feira, no Educador – Congresso Internacional de Educação, em São Paulo, Laukkanen explicou que os professores estão entre os profissionais mais populares da Finlândia.

Os salários são bons, mas não o suficiente para atrair os jovens profissionais. A reputação da carreira é o principal fator na escolha. "Não é o salário que torna a carreira tão popular e atraente na Finlândia. Nossos salários estão em desvantagem em relação aos de outros países da Europa. A diferença é que todos os nossos professores têm mestrado em educação e a carreira acadêmica é extremamente respeitada."

As tecnologias educacionais, forte tendência no Brasil, não influenciam o bom desempenho dos alunos finlandeses e não têm a ver com as melhores notas, de acordo com Laukkanen. "Temos tecnologia nas escolas, mas os professores não a usam. As crianças têm mais acesso à tecnologia em casa do que na escola. Algumas cidades têm lousas interativas, digitais, mas nossa educação não é baseada em tecnologia e sim em professores", conta o professor, que também é conselheiro na Finnish National Board of Education (FNBE).

Não há um segredo da educação finlandesa. Para Laukkanen, o sucesso vem de uma combinação de fatores, além do bom corpo docente. "A educação é nacional, com um currículo unificado e tem como objetivo o país obter um bom desempenho. Tanto faz onde você colocar o seu filho porque em qualquer lugar da Finlândia a educação é a mesma. Nossos profissionais de educação têm autonomia, liberdade, são reconhecidos e respeitados."

Alem disso, o professor aponta a alta expectativa de desempenho dos alunos e o suporte às crianças que não conseguem acompanhar o ritmo. "Quando sobe a exigência, quando o objetivo é mais alto, o nível de qualidade sobe bastante", analisa. "Na Finlândia, as mentes mais brilhantes se tornam professores. São a chave principal do nosso sucesso.

Temos também uma boa estrutura política educacional. Se não tivéssemos essa base de apoio, não adiantaria ter bons profissionais."

Carga horária - A carga horária na Finlândia se aproxima do período integral no Brasil. É mais tranquila nos primeiros anos e aumenta gradativamente. "Nos primeiros anos as crianças passam 19 horas por semana na escola. No quarto ano aumenta para 23 a 24 horas por semana, até chegar a 30 horas, na 7ª e 9ª série. Procuramos poupar os pequenos", brinca Laukkanen.

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Professores devem estar preparados para uso de tecnologia digital

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A utilização de tecnologia digital traz contribuições significativas para a educação a distância e transforma as possibilidades de comunicação entre professores e alunos. De acordo com a professora Lea Fagundes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o professor que for trabalhar em educação incluída na cultura digital deve ter uma formação especial. Segundo ela, além de saber como atuar nessa área o professor também precisa aprender como inovar em educação, seja presencial ou a distância.

Formada em pedagogia e em psicologia, com mestrado em educação e doutorado em psicologia escolar e do desenvolvimento humano, Lea Fagundes é professora titular aposentada da UFRGS. Atualmente, na mesma instituição, ela é docente permanente, convidada no Mestrado em Psicologia Social e Institucional, docente no Programa de Pós-Graduação Informática na Educação, e coordenadora de pesquisa no Laboratório de Estudos Cognitivos.

Jornal do ProfessorQuem é o professor que dá aulas em cursos de EAD? Quais as características que ele deve ter para atuar nesse segmento?

Lea Fagundes – Não considero dois segmentos, pois as transformações que estão acontecendo em nossa sociedade aproximam cursos em EAD dos cursos presenciais, não só porque permitem uma comunicação a distância “sem distâncias”, proximando os alunos tanto do professor quanto de outros alunos pelas conexões virtuais, como também muitas atividades de um curso presencial podem se beneficiar dos recursos digitais para minimizar as distâncias.

Com a cultura digital a tradicional “educação a distância” recebe contribuições muito significativas:
- os meios de comunicação são totalmente modificados – do transporte pelo correio de materiais impressos, jornais, de programas em rádio e em televisão, que dependiam de emissões em horários e locais pré-programados para serem acessados pelos alunos, passamos a dispor de ambientes virtuais de aprendizagem como suporte a materiais digitalizados não só os específicos para um curso, mas redes de sistemas de informações amplas e permanentemente acessíveis à pesquisa e em constantes atualizações;
- o uso da tecnologia digital transforma as possibilidades de comunicação entre professor e aluno, as trocas podem ser interativas em modalidades síncronas ou assíncronas, não mais só unidirecionais e hierarquizadas como a EAD tradicional que considera que o professor emite a mensagem porque sabe mais, tem autoridade para decidir, por isso planeja o ensino, e o aluno a recebe porque será avaliado por reproduzir e aplicar adequadamente essa mesma mensagem. Pois a EAD agora dispõe de recursos para que os indivíduos passem a interagir cooperativamente não só com um professor especialista, mas com outros professores estabelecendo conexões interdisciplinares. O aluno não só interage linear e hierarquicamente, respondendo às perguntas do professor, ou cumprindo suas ordens, ele pode interagir com colegas de outros grupos heterarquicamente, escolhendo conteúdos, recebendo e enviando comentários, sugestões, contribuindo nas soluções de problemas, formulando outras questões, argumentando com os próprios professores e até com outras comunidades na rede. E então pode ser alcançado o desenvolvimento, as competências, habilidades, atitudes, procedimentos que os cursos buscam.

Nos programas que tenho avaliado de cursos em EAD não encontrei caracterizações especiais para seus professores. De um lado, o planejamento desses cursos tendem a reproduzir os cursos presenciais que as instituições já desenvolvem, de outro, os professores são aceitos, e não selecionados, porque são competentes no ensino presencial e porque se apresentam disponíveis a aprender a usar as novas tecnologias.
Não estou afirmando que não há características que ele deva ter! Estou tentando analisar as diferenças entre EAD tradicional e as relevantes características da EAD na cultura digital e sublinhando que é necessário tratá-la como inovação revolucionária.

JP – A formação de um professor de EAD deve ser diferente de um professor presencial? O que é necessário que ele saiba para atuar nessa área?

LF – Um professor presencial não é necessariamente diferente de um professor de um curso EAD, se neste último os recursos forem textos, apostilas, radio, televisão, ou vídeoconferências. E não será diferente se o curso EAD for trabalhado sem considerar os recursos da cultura digital, quando só privilegiem o atendimento de alunos que estejam distantes de instituições de ensino e sem dispor de tempo para frequentá-las.

Entretanto, seja um professor presencial ou seja um professor em EAD, ele necessitará de formação especial se desejar trabalhar em educação incluída na cultura digital. Muita atenção: há instituições que possuem equipamentos, laboratórios e conexões à internet, mas usam esses recursos para desenvolver um ensino tradicional, como, por exemplo, currículo fragmentado em disciplinas de períodos predeterminados, cumprindo tarefas pré-programadas com conteúdos descontextualizados, de forma linear, centralizado no ensino pelo professor, e avaliado por desempenho com apresentação de uma só resposta certa, de atender turmas como fossem todos os alunos semelhantes e com níveis de desenvolvimento equivalentes para aprendizagem dos mesmos conteúdos.

Seja na educação presencial, ou seja em EAD, o importante é sua inclusão na cultura, é o esforço para mudar a concepção de ensino da sociedade industrial para a concepção de desenvolvimento cognitivo e sócioafetivo no processo de aprendizagem, da sociedade da informação, da sociedade do conhecimento.

Não é só necessário que ele saiba como atuar nessa área, o professor necessita aprender como inovar em educação seja na presencial, seja em EAD. Por quê? Porque mesmo na educação presencial a cultura digital pressupõe tanto contatos presentes como interações no espaço virtual, trabalho nas salas da escola, mas também trabalhos cooperativos no espaço virtual, uso de hipertexto, de recursos multimídias, de radio digital, de televisão digital, de bibliotecas digitais, de museus virtuais, na própria escola conectada com redes de escolas próximas ou distantes.

Uma nova formação também é necessária para o professor para que se aproprie das novas contribuições da cultura com reflexão crítica, com experimentação metódica para testar, analisar e avaliar novas práticas como um investigador permanente e consciente. É fundamental que comunidades de professores aprendam a buscar os melhores, os mais explicativos fundamentos teóricos para entender melhor seu próprio processo de aprendizagem e o de seus alunos, e como esse processo acontece na apropriação dos recursos da tecnologia digital sustentando as atividades de comunicação interativa, colaboração e cooperação para a construção de conceitos, para a prática de procedimentos criativos nas ciências, nas técnicas como nas artes, para a prática de atitudes e valores na convivência social local e planetária.

JP – Há diferenças no planejamento de aulas presenciais e a distância? Quais?

LF – São muitas as semelhanças e pouquíssimas as diferenças quando se reestrutura a educação incluindo-a na cultura digital. O que está acontecendo atualmente são apenas adaptações do ensino presencial à EAD. Urge que se iniciem pesquisas substanciais considerando desde o grande problema dos técnicos em desenvolver ambientes virtuais de aprendizagem, estruturados em rede, com distribuição de espaços tanto para alunos como para os professores, para garantir cooperação nos planejamentos e autoria nas produções. O que isto significa? Assegurar a liberdade para tentar e para errar, o tempo para discutir, refletir e replanejar, a distribuição das tarefas interdisciplinares em que o professor exerce as funções de mediador e não decide unilateralmente.

O plano precisa considerar sempre diferentes pontos de vista, múltiplas perspectivas assegurando defesas contra a repressão e buscando a ampliação valorizando o investimento dos aprendizes. Os alunos podem participar na elaboração dos objetos de aprendizagem, na proposta de atividades criativas, desde o primeiro ano do ensino fundamental até o ensino universitário.

Isto não é o que está acontecendo. Precisamos repensar e ter a coragem para novas iniciativas. No Brasil temos, felizmente, acesso a esse novo conhecimento. Só precisamos valorizá-lo mais e experimentá-lo com critérios bem definidos.
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Tecnologia na sala de aula

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REVISTA ISTOÉ - Carteiras com teclado, telas sensíveis ao toque e conteúdo em 3D. As escolas chegaram ao século XXI

Por Verônica Mambrini

Nada é mais tradicional do que a aula “cuspe e giz”, aquela que só depende da fala do professor para se concretizar. Mas a tecnologia está fornecendo cada vez mais recursos para turbinar o que acontece na escola e deixar o dia a dia dessa geração de crianças tão digitais mais próximo de sua realidade. Aliados poderosos, como a projeção tridimensional, facilitam o ensino de temas intrincados, como reações químicas ou demonstrações de leis da física. Já existem no mercado, por exemplo, diversos softwares que apresentam os conteúdos didáticos do currículo proposto pelo Ministério da Educação. Pode-se desenvolver material para todas as disciplinas com interatividade, usando capacetes e luvas que transmitem o movimento dos alunos. Isso sem falar nas carteiras com teclado, mouse e telas sensíveis ao toque. Tudo para atrair a garotada.

Quando você percebe que essas crianças entram em uma sala de aula no mesmo formato do século XIX, há cansaço, desentendimento, falta de vontade de aprender”, afirma Jorge Vidal, diretor da Interdidática, feira que aconteceu recentemente em São Paulo e trouxe os lançamentos de ponta do setor para o mercado brasileiro. O Colégio Castanheiras, na capital paulista, abraçou a tecnologia. A partir do segundo ano do ensino fundamental todas as salas têm lousa digital e a tradicional e dois computadores ligados à internet – um para o professor e outro para os alunos. Do oitavo ano em diante, os estudantes também usam notebooks. “As salas têm sempre as duas lousas, porque somos da geração da transição, com giz e mouse, que não brigam”, diz a diretora pedagógica Débora Vaz. Aliadas às lousas digitais, carteiras especiais permitem integrar totalmente as aulas com a apresentação do professor. Fechadas, elas parecem comuns, com tampa de madeira e apoio para canetas e lápis. Sob a tampa, monitor, mouse e teclado.

Toda a tecnologia disponível, no entanto, não assegura por si só uma revolução educacional. É preciso aprimorar didática e conteúdos. O desafio agora é garantir o bom uso da tecnologia. “O risco é repetir o velho com a ferramenta nova”, diz Nilbo Nogueira, doutor em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Novas mídias, recursos e possibilidades garantem mais chances de aprendizado para toda a sala, afirma o professor. “Há alunos mais visuais, outros que aprendem ouvindo. Mas, na aula tradicional, você atinge menos gente.”

Outra boa notícia é que a disponibilidade da tecnologia não está apenas nas escolas de elite. A Sapienti, empresa que desenvolve lousas e salas multimídia, tem nas escolas públicas seu principal cliente. “Na rede pública, 30% dos alunos não tinham computador em casa, mas 60% deles acessavam de um cybercafé”, diz Gonçalo Clapes Margall, diretor da Sapienti. Diante da revolução digital, a rendição parece inevitável.

Fonte: Revista Isto é - ed. 2113
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Ninguém se livrará dos livros

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Literatura: Para Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, é falsa a hipótese de que a obra literária em papel esteja com os dias contados.

Por José Castello, para o Valor, de Curitiba.

O escritor italiano Umberto Eco é um entusiasmado estudioso do erro. "Sou fascinado pelo erro, pela má-fé e pela estupidez", diz. Já escreveu um livro, "A Guerra do Falso", inédito no Brasil, dedicado aos museus americanos de reproduções de obras de arte. Criou, com "Os Limites da Interpretação", uma teoria da falsificação. Baudolino, um de seus personagens mais célebres, é um sofisticado falsário. O erro sempre aponta para algo que não devemos esquecer.

Entre as obsessões de Eco está o combate a uma das mais celebradas falsificações de nossos dias: aquela que, cheia de argumentos e certezas, anuncia a morte do livro. A disseminação do computador, desdobrada agora nos livros eletrônicos, é o argumento principal dos que desempenham o papel de coveiros. Umberto Eco crê, ao contrário, que a informática e o avanço tecnológico nos trouxeram de volta à era alfabética. "Se um dia acreditamos ter entrado na civilização das imagens, eis que o computador nos reintroduz na Galáxia de Gutemberg", argumenta. Já que, com o advento do computador e da web, "todo mundo vê-se obrigado a ler".

Eco defende sua tese com ênfase em "Não Contem com o Fim dos Livros", longo diálogo com o escritor e ensaísta francês Jean-Claude Carrière (organização e mediação de Jean-Philippe de Tonnac, tradução de André Telles, Record, 272 págs., R$ 39,00). Os que apostam na morte dos livros - seja como um sinal da era das imagens, seja como uma oportunidade de novos negócios - devem colocar suas barbas de molho, os dois alertam. Por um motivo simples: o livro não vai morrer.

Eco observa que o livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Instrumentos que, uma vez inventados, não podemos aprimorar. "Você não pode fazer uma colher melhor que uma colher", diz. Do mesmo modo, e para o mesmo uso, não podemos fazer algo melhor que o próprio livro. Ao longo dos séculos, muitos se esforçaram para matar o livro. Censura, ignorância, imbecilidade, inquisição, negligência, incêndio são, apenas, alguns de seus inimigos, lembra o prefaciador Jean-Philippe de Tonnac. Muita coisa, por certo, se perdeu, o que leva Tonnac a construir uma sedutora tese sobre a cultura. "A cultura é muito precisamente o que resta quando tudo foi esquecido." O livro é o guardião desse grande resto que nos constitui.

Eco sempre diz que o homem é metade gênio, metade imbecil. Os livros não poderiam escapar desse destino e por isso sua história também é, muitas vezes, lamentável e cheia de impurezas. Nada de glorificar o livro, nada de elevá-lo acima das contingências humanas. Como qualquer artefato humano, ele tem uma história oscilante e pode, com a mesma facilidade com que nos eleva, também nos enganar e afundar.

Feita essa ressalva, e ainda assim, o livro não morrerá, Eco e Carrière garantem. Não podemos usar um computador sem saber ler e escrever, eles lembram. Para Eco, a escrita é "um prolongamento da mão e, nesse sentido, é quase biológica". Ele medita: "Quando você inventa uma coisa dessas, não pode mais dar para trás".

A escrita sempre terá seus lapsos, nenhuma tecnologia a livrará deles. Essa condição invade até mesmo o universo dos livros sagrados. Muitos especialistas acreditam que existiu um "Evangelho" original, conhecido com "Q." - evangelho-fonte, batizado a partir da palavra alemã "Quelle". As primeiras palavras de Buda só foram transcritas em "O Sermão de Benares", trabalho de um discípulo, Ananda. A cultura é cheia de lapsos, ausência e furos. Muita coisa boa - mas também muita coisa ruim - se perdeu e se perderá. Nem o computador, que parece tão preciso e poderoso, nos serve de garantia.

É verdade, eles admitem, a velocidade tecnológica transforma nossos hábitos mentais. "Foi preciso quase um século para as galinhas aprenderem a não atravessar a rua", Eco recorda. "A espécie terminou por se adaptar às novas condições de circulação." Mas nós, humanos, não dispomos desse tempo. Nos filmes de ação americanos de hoje, nenhum plano deve durar mais de três segundos, ele lembra. O mundo contemporâneo não admite a lentidão.

Sim, agora temos o e-book - mais ágil, mais rápido, mais limpo. A partir dessa notável invenção, passamos, porém, a vaticinar a morte do livro. Ocorre que "a grande qualidade do futuro é ser perpetuamente surpreendente", lembra Carrière. O futuro não procede do conhecido, mas do desconhecido. Não é uma repetição, mas uma revelação. Matar o livro por antecedência, como um assassino que acredita que basta planejar uma morte para que ela aconteça, é, em consequência, inútil. Inútil e estúpido.

O próprio passado não é bem o que pensamos. Imaginamos, por exemplo, que o século XIX foi muito mais lento que o nosso. Um dia, visitando a biblioteca de José Mindlin, em São Paulo, Jean-Claude Carrière teve a chance de ver uma edição de "Os Miseráveis", de Victor Hugo, publicada e impressa no Rio, em português, em 1862. Isto é, no mesmo ano em que o livro foi publicado em Paris, só dois meses depois! O ensaísta descobriu, então, que, enquanto Hugo escrevia, Hetzel, seu editor, despachava o livro, capítulo após capítulo, aos editores estrangeiros. A rapidez de sua primeira tradução brasileira ultrapassa a velocidade dos atuais best-sellers. "Às vezes é útil relativizar nossas pretensas proezas técnicas", Carrière sugere.

Muito de nosso mundo virtual foi, de certa forma sutil, antecipado pelos clássicos. Carrière cita o exemplo da "Eneida", em que Virgílio, no famoso "Livro VI", já descia não só ao inferno, mas a algo que se assemelhava ao mundo virtual. "Todos os personagens com que você se depara nesse mundo foram alguém ou têm a possibilidade de ser alguém um dia", ele rememora. "Como se Virgílio tivesse tido a intuição das tecnologias de que nos vangloriamos." Se for assim, nada mais fizemos do que cumprir suas profecias. O computador, quem sabe, começou com Virgílio!

No mundo de hoje, mais do que as supostas ameaças ao livro, o que mais impressiona Carrière é "a completa extinção do presente". De um lado, vivemos obcecados pelo futuro - que é sempre incerto. De outro, "o passado nos alcança a toda velocidade". Entre o futuro e o passado, o presente se estreita, se comprime, é quase nada. Mais do que a possibilidade do fim do livro, Carrière se assombra com o fim do presente. Pergunta: "Onde enfiaram o presente? O maravilhoso momento que estamos vivendo e que diversos conspiradores tentam nos roubar?"

O grande problema trazido pela web, entendem os dois amigos, é uma inundação de detalhes e de caminhos, que nos afogam, sem que tenhamos como filtrá-los. Cada página da web nos lança em um desfiladeiro. Cada vez mais, precisamos decidir o que ler - precisamos escolher. Nesse aspecto, o livro ganha ainda mais importância. Em um mundo acelerado e atulhado, impõe-se a necessidade de uma "edição do presente". Carrière compara a web ao panteão dos deuses hindus, com suas 36 mil divindades principais. Para se movimentar nessa teia de deuses, e embora compartilhem as mesmas crenças, cada indiano elege suas divindades prediletas. Diante da tela do computador, precisamos fazer o mesmo. Nesse aspecto, o livro é nosso melhor parceiro.

Bibliófilos apaixonados, Eco e Carrière têm seus sonhos impossíveis. Eco, por exemplo, gostaria de encontrar outro exemplar da "Bíblia" de Gutemberg. Também gostaria de ter em sua biblioteca as tragédias gregas perdidas que Aristóteles cita na "Poética" e que, se descobertas, poderiam colocar em risco, quem sabe, reputações respeitáveis como as de Sófocles e de Eurípides. Já Carrière diz que subiria nas nuvens caso descobrisse um códice maia desconhecido. Ambos se espelham em Paul Pelliot, o explorador e linguista francês que, em 1911, descobriu, em uma caverna, 70 mil manuscritos do século X. Hoje eles formam o acervo Pelliot na Biblioteca Nacional de Paris.

Por que alguns livros sobrevivem e outros não? Quantos grandes autores existiram a respeito dos quais nada sabemos? Muitas vezes, grandes livros estão bem ao nosso lado, mas somos incapazes de vê-los. "Cada leitura modifica o livro, assim como os acontecimentos que atravessamos", Carrière comenta. Semanas antes da conversa com Eco, ele abrira o "Quixote" em sua última parte, a que é menos lida. Nela, Sancho, de volta para casa, diz uma frase espantosa: "Em lugar nenhum encontramos a acolhida almejada por nosso infortúnio". Resume Carrière: "Atualidade de um grande livro: nós o abrimos, ele nos fala de nós". Não precisamos de mais nada.

Flaubert dizia, nos lembram os dois amigos, que a burrice é querer concluir. Umberto Eco sugere: "A burrice é uma forma de administrar a estupidez com orgulho e assiduidade". Afirma Carrière que o imbecil pode chegar por si mesmo a soluções peremptórias e impressionantes. "Ele quer encerrar para sempre uma determinada questão." Esta é a única garantia que o livro nos dá: questões não podem ser encerradas sem se converter em tolices. Os que perguntam se o livro vai morrer buscam uma resposta que encerre a pergunta, que a extermine e liquide. Eles, sim, pretendem matar o livro.

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Especialista afirma que alunos acham chata a sala de aula sem tecnologia

A palestra da professora Maria Inês Fini, doutora em Educação e responsável, em 2002, pela criação e coordenação do ENEM, foi a que mais empolgou os 3 mil professores da rede pública e privada que participam do primeiro dia do 2° Congresso de Tecnologia Educacional Aplicada à Sala de Aula, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.


Logo na abertura da conferência, com o tema “Tecnologia não é Pedagogia”, um vídeo mostrava que os jovens estão acompanhando a evolução tecnológica de forma rápida, utilizando ferramentas como MP3, redes sociais, videogames e celulares para se atualizarem. Por outro lado, apresentava a sala de aula convencional, apenas com giz e o quadro-negro, deixando claro o paradoxo que os educadores enfrentariam sem acompanhar a evolução do mundo. 

Em seguida, a professora Maria Inês Fini discutiu os recursos tecnológicos como apoio ao aprendizado em sala de aula e mostrou que o aluno não acompanha ou não se interessa por uma escola que não está conectada ao mundo em que ele vive. “O aprendizado não pode estar distante da realidade do estudante, sob risco de parecer chata e sem graça. As políticas públicas devem estar direcionadas para a garantia do acesso à tecnologia nas escolas”, explica. 

No conceito mais abrangente de aprendizado, o acesso não significa conhecimento, pois se assim fosse, o aluno nem precisaria ir à escola. “Você tem hoje a possibilidade de acesso ilimitado à informação. A educação está ao alcance de todos”, citou Maria Inês Fini. Sua própria apresentação, com recursos em vídeo, mostrava a interação que se pode ter com o público, quando bem utilizados os meios digitais. 

Para a educadora, o professor faz a mediação entre transformar informação em conhecimento e o aluno é interpretado como alguém com autonomia de pensamento e disciplina. Se o professor domina as linguagens da informática e conhecimentos acerca do desenvolvimento cognitivo, então dominará as linguagens de educação, sendo a tecnologia não uma substituta da pedagogia, mas sim sua aliada. Aprender na era digital é desenvolver estruturas de inteligência, transformando informação em conhecimento”, finalizou. 

Fonte: http://www.congressotecnoeducacional.com.br/
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VÍDEO: As características positivas e negativas do iPad

ipadinfotvNo post Kindle, iPad e outros e-readers: o que eles já fazem e o que poderão fazer pela educação?, um artigo mostra a utilidade educacional destes gadget e enfatizou a mais recente novidade do mercado: o iPad. Veja mais detalhes deste aparelho, suas vantagens e desvantagens, num vídeo da Info TV. Siga o link abaixo:
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Tecnologia é usada como material de apoio em classe


Brasil ainda não definiu política integrada de aplicação de padrões de práticas pedagógicas que envolvam uso das TICs

Gabriela Dobner, iG São Paulo | 27/04/2010

As tecnologias utilizadas na sala de aula funcionam apenas como material de apoio do professor. A constatação é de Maria Inês Bastos, educadora e consultora da Unesco, que participa do evento O Impacto das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) na Educação na América Latina e no Caribe, organizada pela Unesco em Brasília. “A aula pode até ficar mais divertida. Mas não sei se ajuda os alunos a aprenderem mais.”

De acordo com ela, o Brasil ainda não definiu uma política integrada de validação e aplicação de padrões de práticas pedagógicas que envolvam o uso de tecnologia em classe, como acesso, ferramentas ou formação de professores. “É fundamental utilizar as TICs na preparação do material didático. O Brasil tem condições de fazer uma proposta de padrão de competências como o Chile fez com a Rede Enlace. O país tem cursos de capacitação de professores e o ministério da educação definiu metas e sistemas que medem o cumprimento destas metas”, explica.

Além da dificuldade em implementar as TICs nas práticas pedagógicas, a maioria das escolas brasileiras ainda não tem acesso à banda larga. Das 135 mil instituições públicas urbanas (65 mil) e rurais (70 mil), apenas 45mil têm acesso a ela. De acordo com o secretário de Educação à Distância do Ministério da Educação, Carlos Bielshowsky, a meta é atingir 92% da população escolar até o final deste ano. “Saímos do zero. Não há país no mundo que tão rapidamente tenha conseguido resolver o problema. Banda larga nas escolas é fundamental para um salto do estudante no uso da tecnologia na sala de aula.”

Segundo Bielshowsky, professores estão recebendo cursos de capacitação. Muitos têm o primeiro contato com computadores e aprendem a utilizá-lo (desde ligar o equipamento até salvar um arquivo). Outros – cerca de 40 mil atualmente – fazem lato sensu em tecnologia de informação. Os números ainda são pequenos. Para ter uma ideia, só a rede estadual de ensino de São Paulo tem cerca de 220 mil professores. “Não adianta investir só em infraestrutura. É jogar dinheiro fora”, diz.

“O professor tem papel fundamental. Aparentemente o mundo inteiro esqueceu dos professores e os deixaram andando com as próprias pernas”, completa Maria Inês.
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Kindle, iPad e outros e-readers: o que eles já fazem e o que poderão fazer pela educação?

Por Marcella Petrere

Última sensação do mundo dos gadjets, o iPad surge como promessa de facilidade e prazer no acesso à informação e ao conhecimento. Livros se misturam a games; a internet refaz a forma de acessar um texto acadêmico; acelerômetro e touch screen permitem interagir de novas formas com o conteúdo. Seu lançamento traz novo alento à categoria dos aparelhos híbridos, que juntam características de diversos outros, como computador, videogame, smartphone e e-reader. Com o advento dos novos tablets, aponta-se também para um grande potencial educacional, que pode ser explorado tanto por seus usuários como pelos criadores de softwares.

Com uma tela de 9.7" multi-touch, o iPad é voltado principalmente para jogos, entretenimento e livros. Quase a totalidade dos mais de 150 mil aplicativos da AppStore - já usados no iPhone e iPod Touch, que possuem o mesmo sistema operacional - são compatíveis com o iPad, podendo ser executados no tamanho original ou expandidos para toda a tela (com perda de resolução). Desde o lançamento do aparelho, milhares de aplicativos já foram disponibilizados especialmente para ele: jogos de corrida e baseball, revistas em quadrinhos, jornais, episódios de seriados de TV, livros de receita, leitor de ebooks (iBook), controlador de ações na bolsa de valores e muitos outros, incluindo o software da Amazon que permite ler arquivos do Kindle. Na seção educativa, há dicionários, enciclopédias, livros multimídia, calculadora, mapas, telescópio para ver corpos celestes e até um esqueleto e um cérebro em 3D.

 

Cerca de 20% dos programas disponibilizados na loja da Apple são gratuitos. De acordo com uma pesquisa feita recentemente pela empresa Distimo, o iPad possui 2.385 aplicações próprias até o momento. A grande maioria delas é formada por games: 833 exemplares, ou 35% do total. Em seguida, vêm as categorias "entretenimento", com 260 apps (11%), e "educação", com 205 títulos (8,6%).

Surge um terreno fértil para os desenvolvedores de softwares. Apenas no primeiro dia de vendas da iPad App Store, estima-se que o público gastou cerca de US$ 400 mil em downloads. A californiana Kleiner Perkins Caufield & Byers (KPCB), que realiza o fundo de investimentos conhecido como iFund, lançou uma oferta pública de US$ 200 milhões para investimento em novos aplicativos para iPad.

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Melhor trecho da reportagem

O professor Sandro Massarani, do Dominantes, um curso preparatório para o vestibular que criou uma subdivisão especializada na produção de jogos educativos para os aparelhos Apple, diz que "A vantagem do uso de tablets e e-readers em relação aos livros e computadores comuns, é a portabilidade desses equipamentos. Em vez de uma mochila com mais de 10kg nas costas, o aluno leva apenas um aparelho. Eu vejo esses dispositivos entrando nas escolas, sim, mas ainda vai levar anos. Primeiro, eles terão de abaixar o preço, que ainda é muito alto no Brasil. Também não podemos esquecer que deve haver uma reciclagem na mentalidade dos professores e gestores de escola, que devem gradativamente deixar a mentalidade conservadora de lado e abraçar a tecnologia".

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Lousa digital traz o mundo para sala de aula


Do Portal IG - Os paradigmas da sala de aula estão mudando. Em algumas escolas particulares de São Paulo, quadro-negro, giz e apagador são coisas do passado. Perderam lugar para a lousa digital – aparelho conectado a um computador que projeta imagens e permite ser comandado com a mão por meio da tecnologia touch screen (sensível ao toque). Além da facilidade tecnológica, os professores podem trabalhar com programas pedagógicos, exibir vídeos e acessar a internet.

"É como se a gente saísse do isolamento da sala de aula e participasse do mundo", define Camila Lenci Boccia Mazzanti, professora do ensino fundamental do colégio Santo Américo, que tem 25 salas equipadas com a lousa digital. "Se eu preciso de uma imagem para complementar a aula posso acessar a internet e mostrar para os alunos na hora. Quando surge uma dúvida, vamos pesquisar a resposta em fonte segura. Recentemente fizemos um trabalho de matemática sobre índice populacional. Acessei a página do IBGE e mostrei os dados para eles", conta.

Com as mãos ou uma caneta especial, professores e alunos escrevem na lousa, desenham formas geométricas, apagam, selecionam ferramentas e “mudam” a página – assim como em um programa de computador, é possível mexer na barra de rolagem e “subir” ou “descer” o texto. Também é possível salvar todas as alterações e gravar a aula em vídeo.

"A professora não precisa mais apagar as coisas que ela escreve. É só mudar a página", diz Hugo Marchi, de 9 anos, aluno do 5º ano do Santo Américo. "Antes a gente tinha que ver vídeos em outra sala. Agora pode ser aqui mesmo, na lousa", comenta a colega de classe Isadora Monteiro, de 10 anos.

Escola x Tecnologia

Na avaliação de Maria Elizabeth Almeida, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutora em Educação, inserir a tecnologia na sala de aula permite integrar linguagens que fazem parte do cotidiano dos alunos. "É um avanço no sentido de criar a cultura digital na escola, porque a tecnologia fica disponível para uso no momento em que ela pode contribuir para a aprendizagem e o desenvolvimento do currículo", avalia.

A intenção da implantação da lousa é de que ela ajude o professor a fazer melhor as coisas que ele já fazia. É importante saber os objetivos pedagógicos, os recursos que a lousa tem e como fazer uma junção disso de forma que você tenha aulas mais interessantes, aprendizado mais efetivo, alunos mais críticos e professores mais antenados”, afirma Valdenice Minatel de Cerqueira, coordenadora de tecnologia educacional do colégio Dante Alighieri. Atualmente, a instituição possui 40 salas de aula equipadas com a lousa digital.

Maior participação

Professores e educadores avaliam que a lousa digital aumenta a participação e o interesse dos alunos na aula. "Eles têm vontade de vir à lousa, mas para isso precisam ter segurança no conteúdo. A lousa capta a atenção e o interesse dos alunos e faz com que eles fiquem mais estimulados para trabalhar", relata Mônica Bessa, professora do ensino fundamental do Dante Alighieri. "Estimula também aqueles que têm mais dificuldade, porque eles vão à lousa, participam mais e se integram melhor."

Camila, professora do Santo Américo, lembra que logo após a instalação da lousa digital, em agosto do ano passado, os alunos ficaram eufóricos com a novidade. "No começo eles não entendiam, queriam usar a lousa o tempo inteiro. Mas nem sempre a gente precisa desse recurso. Tem também uma questão de iluminação, que precisa ser mais fraca, e não é compatível com a escrita", explica a professora.

Para Camila, os alunos ficam mais atentos durante uma aula com recursos tecnológicos do que sem. “Eu como transmissora sou só uma pessoa, não tenho recursos audiovisuais completos, e acabo perdendo um pouco a atenção deles. O recurso digital combinado com o conteúdo do livro capta bem mais a atenção.”

Tanta tecnologia significa investimento alto. O modelo Smart Board, adotado pelo Dante Alighieri, custa entre R$ 4 mil e R$ 10 mil por unidade, dependendo do tamanho e das funcionalidades. Já o Santo Américo, adquiriu lousas Hetch Tech por R$ 4 mil.

Professor

O papel do professor, que antes era o principal detentor do conhecimento, também passa por mudanças. “Está aparecendo um novo modelo de interação, não só professor-aluno, mas aluno-professor, porque eles contribuem muito”, destaca Valdenice, coordenadora de tecnologia do Dante Alighieri.

O colégio disponibiliza o software da lousa digital em sua intranet. Os alunos baixam em casa, exploraram os programas e acabam ensinando funções aos professores, segundo Valdenice. “Os nossos alunos são nativos digitais e nós somos imigrantes. Temos na escola professores com mais de 30 anos de magistério, então esses profissionais tiveram que se reinventar. É um desafio, mas ao mesmo tempo um privilégio”, define a coordenadora.

Maria Elizabeth Almeida, pesquisadora de novas tecnologias educacionais, avalia que as mudanças em sala de aula estão inseridas em um contexto maior. “Há um processo em andamento de mudança da sociedade impulsionado pela incorporação das tecnologias digitais a diferentes setores de atividades e ao cotidiano das pessoas. Isso provoca transformações nos modos de fazer, pensar, expressar, comunicar, produzir conhecimento e trabalhar em colaboração”, analisa.

Fonte: Portal IG
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