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Mural do Tuba Educação

Tuba Educação traz notícias selecionadas da área educacional e artigos do Professor Tuba sobre Ensino de Física, Informática na Educação e outros temas educacionais.

Tuba Livre a todo vapor no Facebook

A Educação dos Milionários

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Os grandes nomes de sucesso não quiseram perder tempo trancados numa sala de aula.

Por GILBERTO DIMENSTEIN

Quem quiser saber como se vão produzir o conhecimento e os melhores empregos no futuro terá de conhecer um japonês chamado Joi Ito, de 45 anos, que, segundo os padrões tradicionais, seria rotulado na faculdade de "vagal". Apesar de vir de uma família de acadêmicos (e acadêmicos japoneses, vale ressaltar), não conseguiu o diploma de ensino superior. Até tentou, mas abandonou, com certo orgulho, os cursos de ciência da computação e de física. Você imaginaria um brilhante futuro acadêmico para esse rapaz?

Desde o início de setembro, Joi Ito dirige uma das principais referências planetárias em pesquisa acadêmica, especialmente em tecnologia da informação, onde se moldou o mundo digital: o MediaLab, do MIT. Foi escolhido por ser um reconhecido empreendedor, que está sempre investindo em empresas ou projetos inovadores. É um dos criadores, por exemplo, do Creative Commons, um marco no debate de direitos autorais na internet. Foi também um dos primeiros a ajudar a tirar do papel o Twitter e o Ficar. Milionário, ele tem casas em vários países e passa a maior parte do ano viajando para se sentir o que ele chama de "cidadão do mundo".

Diante da pergunta sobre como convenceria estudantes a ficar na escola se ele próprio não ficara, Ito deu a seguinte resposta: "Se eu estudasse num ambiente tão criativo e profundo como o MediaLab, nunca teria ido embora".
Joi Ito simboliza o incrível poder dos "vagais", agora ganhando status acadêmico, e sinaliza o perfil de gente que inventa empregos.

Foram jovens que abandonaram a escola que criaram a Microsoft, o Twitter, o Facebook e a Apple. Pense quantas vezes por dia você usa alguma de suas criações. O fato é que os grandes nomes de sucesso de hoje, em vez de perder tempo trancados numa sala de aula, preferiram ficar metidos em alguma garagem reinventando o futuro e, assim, gerando empregos.

O debate é especialmente intenso agora, com os sinais de revolta no mundo -e o Ocupe Wall Street é o símbolo - diante da dificuldade de criar empregos nas nações ricas. Nada disso significa que a universidade seja uma instituição falida. Imagine ir a um médico sem diploma ou mesmo entregar a construção de um prédio a um engenheiro que não conhece resistência de materiais. Ninguém quer ter os dentes tratados por um barbeiro. A questão, portanto, é saber como nutrir empreendedores, envolvendo as universidades, onde, em tese, deve concentrar-se o conhecimento mais avançado.

Por isso, está fazendo sucesso um livro recém-lançado, intitulado "A Educação dos Milionários", escrito por Michael Ellsberg, que entrevistou durante dois anos empreendedores de sucesso que não pisaram na faculdade ou a abandonaram. Pergunto qual era o traço comum deles. "Uma tremenda habilidade para lidar com o fracasso, transformando-o em aprendizagem", respondeu. Nesse ponto, estaria, segundo ele, o grande problema que a escola tem em formar empreendedores: "Na escola, somos treinados para dar a resposta correta, mas a criatividade depende do estimulo à experiência, que, em essência, vem de lidar todo o tempo com o fracasso". Pode parecer provocação, mas o argumento tem sido aceito e absorvido pelas melhores universidades.

No próximo mês, Harvard quer transformar num evento mundial o lançamento de sua incubadora de start-ups, onde alunos, pesquisadores, professores e executivos renomados trabalham em conjunto. A ideia é que aquele tipo de gente que criou empresas como o Facebook fique lá dentro por alguns meses, numa espécie de residência, para orientar os mais novos.
Gordon Jones, o responsável pelo projeto, batizado de HI (Harvard Innovation), é um misto de acadêmico de formações as mais variadas com empreendedor de sucesso. Quando pedi que me falasse de seus projetos como empreendedor, Gordon preferiu mostrar um jeito diferente de fazer um currículo. "Olhe aí", disse, apontando para a parede de seu escritório, em que estão pregados os produtos que ajudou a desenvolver ou vender.

É uma simples questão de sobrevivência. A mil metros da incubadora de Harvard, prospera o bairro com mais start-ups por metro quadrado (Kendall Square), vitaminado pela proximidade com o MIT, onde está Joi Ito. Vamos encontrar em várias partes do mundo (no Brasil, o melhor exemplo é o ITA) universidades que estipularam como meta servir de incubadoras, sendo uma ponte para a inovação. Disso depende a riqueza de uma nação - aliás, é o que move o governo Dilma a criar uma agência (Embrapii) para aproximar as universidades das empresas.

Ao assumir aquele cargo do MediaLab, Joi Ito apenas está sinalizando essa ponte entre o saber e o fazer.

PS- A incubadora de Harvard será comandada pela Escola de Negócios, obrigada a provar que forma empreendedores. No início do próximo ano, ela vai fazer uma experiência de proporções gigantescas. Todos os 900 alunos do primeiro ano terão de passar um mês desenvolvendo um projeto em algum país, inclusive o Brasil, dentro de um empresa.

Fonte: Folha de São Paulo

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Número de formandos nas licenciaturas diminui a cada ano

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Uma conta que parece não fechar. De um lado, um déficit nacional de cerca de 235 mil professores, segundo projeção do Conselho Nacional de Educação (CNE), para suprir as necessidades de contratação da área, especialmente para o ensino médio. Na outra ponta, salas de aulas com pouquíssimos alunos na graduação das licenciaturas, menos professores formados, menos mão-de-obra. Essa é uma realidade brasileira e, em Sorocaba, não é difícil encontrar o reflexo deste cenário nacional.

Na Universidade de Sorocaba (Uniso), uma das instituições de ensino da cidade com tradição na formação de professores, poucos são os alunos que ainda resistem e se formam nos cursos que têm como foco principal a preparação para a sala de aula: Pedagogia, Química, Física, Matemática, História e Filosofia. Entre eles, um dos com menor procura - e número de formados - é Física, criado pela instituição em 2005. E a necessidade do Brasil por estes profissionais não é pequena. Segundo o pró-reitor acadêmico da universidade, professor José Martins de Oliveira Junior, o déficit nesta área beirava os 50 mil profissionais há três anos.

"De lá para cá imagino que nada mudou. Acredito, inclusive, que a situação foi agravada. A procura nunca foi muito grande para esta área, mas de 20 anos para cá piorou muito." Na universidade sorocabana, o curso chegou a ter 45 inscritos em sua primeira turma. Mas no ano passado, apenas dez novos professores foram colocados no mercado de trabalho. Na opinião de Martins, é impossível virar esse jogo se as condições de carreira no Brasil - especialmente dos docentes de ensino médio, público - não melhorarem.
"Não aumentará a formação e nem o interesse por esta área se os salários não aumentarem. A defasagem é grande e, hoje em dia, se os salários triplicassem, ainda assim estariam baixos
. E, por causa disso, mesmo que o governo concedesse bolsas para todos que desejam frequentar as licenciaturas, creio que a procura seria baixa." O reflexo dessa realidade os docentes percebem no dia-a-dia da graduação. No caso da Física, os poucos que frequentam querem seguir a carreira acadêmica - porém, não no ensino público, como o Brasil precisa, mas nas áreas de pesquisa e até de docência no ensino superior. Para o pró-reitor, a questão da valorização profissional, entretanto, tem reflexos que vão além da satisfação pessoal. "Professores bem preparados e motivados também motivam os alunos a gostar da disciplina. E é isso que ajudará a fazer com que gostem e pensem em ser professor no futuro."

Enquanto a totalidade dos alunos de Física - apesar de poucos - tem como destino a sala de aula, a baixa procura pelas licenciaturas tem um impacto ainda forte no curso de Química. Isso porque, nesta área, os recém-formados são atraídos pelas vagas na indústria, que paga até o dobro do que é oferecido para estar à frente de uma classe. Em 2010, foram 27 os formados pela Uniso - apenas metade optou pelo magistério. "Isso de uma turma que começou com cerca de 50 matriculados", aponta o coordenador do curso, professor André Kimura Okamoto. O número de novos professores da disciplina lançados no mercado de trabalho, em Sorocaba, diminui ainda mais se considerado o fato de que parte deles mora em cidade da região. "E acabam ficando nestes municípios, porque é mais fácil conseguir as aulas." Para Okamoto, na falta de interesse pela graduação, o salário é só um detalhe. "Muita gente pensa que é fácil, mas são cursos pesados, que exigem um grau de raciocínio abstrato que nem sempre os alunos adquirem antes de chegar à faculdade. Por isso, as desistências são muitas."

Muito trabalho

Enquanto para alguns a carreira de professor de Química parece estar desaparecendo, para outros é o achado de uma oportunidade no mercado. Isso porque, segundo os professores da Uniso, se formar numa dessas licenciaturas, com pouca concorrência para ingresso na universidade, significa a certeza de ter um emprego - mesmo que a remuneração não seja tão boa assim.

Ariana Apolinário Okaeda, 25 anos, é um exemplo disso. Há três anos ela já deveria ter terminado a graduação, mas não consegue finalizar as disciplinas porque não tem tempo disponível, em razão da quantidade de aulas que já tem sob sua responsabilidade, na rede estadual. "No começo ia até para outras cidades, como Salto, Salto de Pirapora, Itu e Piedade. Como em alguns locais os cursos eram à tarde, chegava a trabalhar o dia todo." Hoje Ariana concentrou sua atuação só no período da manhã, mas não por falta de oportunidades. "Estou com uma filha pequena e não dá para trabalhar mais neste momento."

Ariana diz que dá para compensar os salários não tão altos quanto gostaria - "o problema é que eles não valem todo o estresse que se passa em sala de aula" - com a sensação de que, assim que ela quiser, poderá novamente aumentar o número de aulas. Isso porque grande parte das escolas, seja da rede particular ou pública, está em busca de um bom professor de Química. "Tenho a certeza de que terei trabalho. No começo a gente não sabe onde ir, com quem falar, onde procurar. E no início do ano é mais complicado. Mas os meses vão passando, os professores vão saindo, tirando licença, e as vagas começam a aparecer." Ela foi uma das estudantes que começaram a licenciatura em 2006 e que persistiu no objetivo de se tornar professora. "Começaram 70, mas se formaram só uns 30. Agora estou até fazendo Pedagogia para aumentar o leque de possibilidades no mercado. Está valendo a pena."

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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Mais aula não resolve

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Por Ricardo Semler (Folha de São Paulo)

Com a abolição gradual do sistema conteudista, pensar hoje em aumentar as horas de aula é quase criminoso.

Está todo o mundo tonto. Esse negócio de educação deficiente deu pano para todas as mangas. No redemoinho dos perdidos, o simplismo é "afundante".

O Pisa e testes que tais - que não parecem com o Enem, em vários sentidos, superior a eles - passaram a ser o padrão-ouro para se medir a escola. Aqui e mundo afora.

Falei por algum tempo com o ministro da Educação da Dinamarca, no ano passado, e fiquei perplexo ao descobrir que a sua meta era subir no ranking do Pisa. Não bastava ter obtido um dos melhores resultados do mundo - ele era cobrado pela sociedade dinamarquesa para melhorar a posição na listagem.

O Brasil, há poucos anos, passou a se medir assim também. Como consequência, todos perguntam como fazer para subir no ranking (estamos na 53ª posição). Ora, descobrindo o que fazem as melhores escolas do mundo serem um sucesso. Viramos súditos das respostas simplórias. Todos fazem estudos que demonstram que professores melhores e mais tempo em sala de aula dão resultado melhor. Como a questão de professores melhores é subjetiva, de uma "ululância" vexante, e que leva tempo (uma ou duas décadas) para se consertar, parte-se para o segundo item.

Assim, começa a grita pela escola integral e por mais tempo na sala de aula. Como se torturar a meninada com mais horas monótonas e mal pensadas fosse resultar em aprendizado duradouro. Que bobagem!

Isso não passa de um clichê, que serve para dar aos pais e aos políticos a sensação, idealizada, de que algo está sendo feito. O custo é altíssimo, e esse percentual a mais de PIB que iria custear um aumento de jornada deveria ser usado na reforma curricular.

Gilberto Dimenstein falou de uma escola na Califórnia, a Summit, que concede aos alunos dois meses, além das férias, para que escapem do tal do currículo. Com isso, essa escola pública é muito superior - em notas - às daquelas que aumentaram suas jornadas. Claro.

No mundo que está por vir, com currículos baseados na web e abolição gradual do sistema conteudista, acrescentar horas de aula é quase um ato criminoso. Essa dinheirama precisa ser redirecionada a fim de preparar as escolas para a revolução digital. Que, aliás, permitirá aos alunos surfarem questões em casa, em vez de acorrentá-los às carteiras.

Todo esforço tem de ser no sentido de alforriar a meninada, em lugar de achar maneiras de aumentar o "Febem-ismo". Com que mais tempo em sala, mais decoreba e mais tortura, nosso pequenos "guantanamistas" aparentarão melhorar.

Mas terão apenas se rendido, catatonicamente -como fazem os coreanos que se suicidam depois- à pobre conclusão dos que "pensam" o ramo: "se está ruim assim, vamos dobrar o mal e ver se melhora". Quanta preguiça macunaímica!

RICARDO SEMLER, 52, é empresário. Foi scholar da Harvard Law School e professor no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Escreveu dois livros ("Virando a Própria Mesa" e "Você Está Louco") que venderam juntos 2 milhões de cópias em 34 línguas.

Fonte: Folha de São Paulo

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Mais estúpidos ou inteligentes?

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Uma das principais questões de hoje é como as tecnologias alteram o funcionamento do cérebro.

Por GILBERTO DIMENSTEIN

O NÚMERO de amigos no Facebook não mede apenas popularidade. Mede também o tamanho de áreas do cérebro associadas a uma rede que compreende memória, emoções e interações sociais. Pessoas com essas áreas mais expandidas conseguem desenvolver mais relacionamentos? Ou mudaram seu cérebro porque usam mais o Facebook, estabelecendo mais relacionamentos? Os cientistas da University College de Londres, responsáveis pela pesquisa, divulgada na semana passada, não sabem.

O que imaginam saber, graças a uma série de testes de ressonância magnética, é que existe uma relação entre o tamanho de certas áreas do cérebro e o número de amigos. É óbvio que tal informação "viralizou" com velocidade gigantesca, afinal são mais de 800 milhões de usuários na internet. E, obviamente, isso suscitou um monumental besteirol científico, como se um grande númer o de amigos indicasse inteligência ou superioridade.

Está aí, porém, uma das mais efervescentes questões da atualidade, sem a qual não se entende pelo menos parte do comportamento dos seres humanos: como as tecnologias da informação alteram o funcionamento do cérebro e quais são suas consequências. Vamos encontrar argumentos (bons, diga-se) de todos os lados, mostrando que as tecnologias da informação nos fazem mais estúpidos ou mais espertos.

Na semana passada, o debate ganhou mais força com o comunicado da Associação de Pediatria dos Estados Unidos de que, se quiserem manter seus filhos mentalmente saudáveis, os pais deverão evitar o excesso de contato deles com as telas. Quaisquer telas: televisão, computador, tablets ou celulares.

A advertência é focada especialmente em quem tem menos de dois anos. O excesso de virtualidade daria menos tempo para a criança brincar e, assim, aprender os códigos essenciais dos relacionamentos sociais. Afetaria também a coordenação motora e a fala. No final, por não aprenderem a se concentrar, as crianças teriam dificuldades de ficar paradas em sala de aula ou lendo um livro.

É uma mensagem que vai contra a corrente. Pesquisas estão revelando que, aqui nos Estados Unidos, smartphone está virando uma espécie de chupeta. Os pais dão o aparelho para acalmar o filho, entretido com algum aplicativos. Cerca de 6% das crianças americanas de 2 a 5 anos já têm seu smartphone. Cerca de dois terços das que têm entre 4 e 7 anos de idade usam regularmente esse aparelho, abrindo um gigantesco mercado de aplicativos.

Se, por um lado, há dúvidas sobre como a tecnologia cria novos circuitos cerebrais, é sabido, por outro, que o cérebro é plástico, molda-se aos estímulos externos. Isso significa que a inteligência pode aumentar ou diminuir.

Cada vez aparecem mais estudos mostrando que parte da inteligência é fruto da genética, mas moldável a partir de estímulos externos. Está para ser publicado um estudo, que, parcialmente desenvolvido por pesquisadores de Harvard com centenas de gêmeos, reforça essa ideia.

Na semana passada, uma investigação da University College de Londres mostrou, mais uma vez usando testes de ressonância magnética, que, entre 2004 e 2008, o QI de adolescentes tinha variado para cima ou para baixo.

Talvez aqui esteja uma das respostas para uma série de experimentos realizados com crianças de até três anos. A criança que recebe mais estímulos e proteção nessa faixa etária tende a ir melhor na escola e, na vida adulta, ter melhor desempenho no trabalho, melhor saúde e se envolver menos em crimes. Nesse debate sobre o "Ocupe Wall Street" e a desigualdade de renda dos americanos (semelhante à do Brasil, aliás), uma ideia me atraiu.

Vários educadores sugeriram que o investimento na primeira infância seria um mecanismo sustentável para distribuir renda tão poderoso como a taxação aos mais ricos.

PS - A boa notícia é que a Faculdade de Medicina da USP abriu um canal de comunicação para pesquisas conjuntas com o centro que investiga a primeira infância em Harvard, um projeto de que participa o Instituto Gastão Vidigal.

Fonte: Folha de São Paulo

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Computador na Escola: Fora do Lugar


Por Tory Oliveira – Revista Carta na Escola

Todas as escolas públicas estaduais e municipais estão equipadas com ao menos um computador, 92% dos quais com acesso à internet. Mas, apesar de ter chegado às instituições de ensino, a tecnologia está longe da maioria das salas de aula e, pior, é vista como intimidadora por boa parte dos professores. A revelação é de uma pesquisa inédita conduzida pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), órgão do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que envolveu 1.541 professores, 4.987 alunos, 497 diretores e 428 coordenadores pedagógicos de 497 escolas de todas as regiões do País.

Entre os entraves para o uso e a apropriação das novas tecnologias, o estudo indica o número insuficiente de equipamentos por aluno, a baixa velocidade da conexão e o próprio contexto do professor (muitas vezes sobrecarregado e mal capacitado). “A infraestrutura chegou à escola, mas precisa avançar”, avalia Juliano Cappi-, coordenador- de pesquisas do Cetic.br.



Das instituições, 81% possuem laboratórios de informática e apenas 4% têm computadores instalados na sala de aula. Contudo, é nela que acontecem 18% dessas atividades. Ou seja, há, segundo o pesquisador, uma “demanda reprimida” dos docentes pela presença da tecnologia nas classes. Apesar de reconhecer a importância dos laboratórios, Cappi faz a ressalva de que talvez seja a hora de reavaliar tal política.

A insegurança ao lidar com a tecnologia foi um fator mencionado por grande parte dos professores de português e matemática (perfil escolhido para participar da pesquisa). Ainda que 90% deles possuam computador em casa e 41% levem o equipamento pessoal para a escola, mais da metade (64%) sente que os alunos dominam melhor as ferramentas. Outros 24% afirmam que não sabem o suficiente para usar a máquina na aula e 15% têm receio de utilizar a internet de modo geral.

A questão geracional ainda conta: 84% dos professores em atividade hoje na Educação Básica não são nativos digitais, apesar de 48% terem feito cursos específicos de informática. “O professor percebe que sua habilidade ainda pode melhorar”, explica Cappi. “O docente passou 30 anos trabalhando com lousa e giz, ele precisa ter tempo para pesquisar, discutir, preparar aulas e começar a incorporar novas iniciativas”, opina o pesquisador.

Apresentados à Secretaria de Educação Básica do MEC em agosto, os dados da pesquisa – que na próxima edição deverá incluir escolas particulares – devem servir de base para a construção de novas políticas públicas. Todos os dados estão em http://cetic.br/educacao/2010/.

Fonte: Carta na Escola
Em muitas escolas do Maranhão, os laboratórios de informática montados pelo MEC em “parceria” com o Estado estão abandonados: computadores velhos, obsoletos, monitores do tempo do CRT, outros eternamente pifados, internet que funciona dia sim, dia não, além de lenta e outros problemas. Manutenção praticamente não existe, principalmente, quanto à recuperação de peças das máquinas danificadas. Do governo Lula para o governo Dilma, houve uma retração no investimento em computadores para as escolas. Um retrocesso!
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Educação desafia consumismo infantil

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Por TONI SCIARRETTA da FOLHA DE SÃO PAULO. Link da notícia: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/988120-educacao-desafia-consumismo-infantil.shtml

Uma geração de novos consumidores, exigente com preço e qualidade e preocupada com efeitos ambientais --e no bolso-- do consumismo exagerado, promete mudar hábitos de consumo no país.

E isso pode acontecer bem antes de esses cidadãos --hoje em idades pré-escolar a até 17 anos-- chegarem ao mercado de trabalho.

Escolas paulistanas tradicionais, como Miguel de Cervantes e Arquidiocesano --e futuramente a rede pública, que terá educação financeira no ensino médio a partir de 2012-- desenvolvem em sala de aula noções de orçamento familiar, crédito, seguros e investimentos pessoais.

Para desagrado do comércio, a lição número um ensinada às crianças e adolescentes é diferenciar coisas que necessitam (remédios, material escolar) daquilo que desejam (videogames, roupas), mas que podem esperar.

Diferentemente dos pais, que atravessaram anos de consumo represado, os especialistas veem nessa geração um ímpeto menor de se lançar ao consumismo desenfreado, apesar da publicidade.

"Elas veem esse consumismo nas pessoas que conhecem e que enfrentam dificuldades", afirma José Alexandre Vasco, superintendente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que acompanha a implementação do conteúdo na rede pública.

"Procuramos desenvolver um raciocínio crítico na tomada de decisões, que se refletirá em valores, atitudes e comportamentos", diz Vasco.

Na escola estadual Dogival Barros Gomes, na Vila São Carlos (zona sul de SP), que participa do programa piloto de educação financeira, as aulas noturnas do professor Marcelo Alvares são disputadas pelos alunos do terceiro ano do ensino médio.

"A maioria trabalha e, pela primeira vez, tem o seu dinheiro. Eles têm maturidade para guardar e planejar como usá-lo", diz Alvares.

Como criar filhos financeiramente saudáveis

CLIQUE NA FIGURA ABAIXO PARA AMPLIAR

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A ideia não é bem haver uma disciplina separada de educação financeira, mas, sim, que a matéria seja abordada em outras disciplinas como Matemática, Sociologia, História e outras. No caso da Matemática, é uma ótima forma de contextualizá-la, apesar de que boa parte dos conteúdos tratados no Ensino Médio não seja diretamente compatíveis com a matemática das finanças.

Siga este outro link que mostra com está sendo o projeto piloto: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/780001-escola-publica-inicia-projeto-de-educacao-financeira.shtml

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Uma nova concepção para ensinar exatas

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Por PAULO BLIKSTEIN

O erro é acreditar que a ciência e a matemática são pré-requisitos para a invenção; na verdade, são simultâneas a ela.

Nos Estados Unidos, dos 3,7 milhões que entraram na primeira série em 1984, só 20% declararam interesse em carreiras em ciências exatas na sétima série, e 4,5% se formaram nessa área. Agora, o governo americano percebeu o óbvio e tenta remediá-lo: a escola afasta os jovens das carreiras científicas.

O ensino de ciências exatas nos EUA, como no Brasil, é uma longa preparação para a graduação nessas áreas, ignorando que só 5% vão cursá-las. Fazemos dele uma aborrecida sequência de tópicos sem utilidade ou função cognitiva.

Os alunos nunca fazem ciência ou engenharia de verdade, nunca se aventuram em descobrir algo novo ou resolver um problema real; aprendem só o "básico", que, em grande parte, ignora os avanços científicos dos últimos 50 anos. O resultado é que 80% não se identificam com as ciências exatas já na sétima série -época em que se forma a identidade intelectual da criança.

Um novo tipo de currículo ao mesmo tempo beneficiaria os que não serão engenheiros, já que terão uma experiência positiva com as exatas e não serão adultos com medo de matemática, e aumentaria o número de crianças interessadas em carreiras nos campos da ciência e da engenharia.

O erro é achar que a ciência e a matemática são pré-requisitos para a invenção; na verdade, histórica e cognitivamente, essas disciplinas são simultâneas à invenção. A história da ciência mostra que ela não avança no vácuo, mas sim para resolver problemas reais. É esse o motor cognitivo e motivacional que move o inventor, o cientista e, é claro, o aluno.

Além disso, mesmo um "mau" aluno em matemática pode ser um ótimo engenheiro. A engenharia está cada vez mais próxima do design e mais longe do modelo calculista. Os computadores fazem a "matemática" da engenharia, deixando para o profissional o trabalho criativo. Os currículos mais avançados do mundo estão substituindo habilidades aritméticas e memorização por modelagem matemática e resolução de problemas complexos.

Nossas escolas têm quadras para as aulas de educação física e bibliotecas para estimular a leitura, mas não instituímos um lugar para ensinar invenção, tecnologia e criatividade. É preciso um espaço apropriado para tanto.

Em Stanford, criei o projeto FabLab@School: são laboratórios de invenção nas escolas, espaços permanentes, com professores especialmente treinados e materiais didáticos especializados.

Esses laboratórios contam com equipamentos de última geração, com a ajuda dos quais alunos criam projetos de engenharia e teorias científicas, colaborando com colegas espalhados pelo planeta. São lugares projetados para atrair todos os alunos, não exclusivamente os que já nutrem um pendor pelas ciências exatas.

O que escolhemos ensinar nas escolas é só uma parte do conhecimento existente. Teoricamente, ensina-se o que a sociedade acha mais importante, mas o que de fato sobrevive no currículo é o que é fácil de ser medido com provas e o que funciona com aula expositiva.

As vítimas são a ciência e a tecnologia, que só são devidamente aprendidas quando os alunos trabalham em projetos, fora da aula tradicional. Se não percebermos que o que precisamos ensinar no século 21 não se encaixa nesse modelo, ficaremos prisioneiros dos conteúdos que são ensináveis dentro dos limites dele - como algoritmos de aritmética hoje tão úteis como saber ler um relógio de sol.

Sem um lugar e alguns cursos especiais para a invenção e a criatividade, não se desenvolve o entusiasmo pela engenharia. E sem ele, há pouca esperança de que tenhamos mais engenheiros no século 21.

PAULO BLIKSTEIN é professor na Universidade Stanford.

Fonte: Folha de São Paulo - 26/09/2011

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